Undercar: segurança em primeiro lugar

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São vários os itens que devem ser checados numa revisão de férias, mas os que têm ligação direta com a segurança do veículo e seus ocupantes merecem atenção especial. Você, mecânico, deve deixar essa questão bem clara para o seu cliente

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Você coloca a sua segurança e a da sua família sempre em primeiro lugar, certo? É claro que o seu cliente pensa da mesma forma, ele está coberto de razão, mas muitas vezes não entende que alguns procedimentos preventivos na manutenção do carro podem garantir essa situação de segurança e tranquilidade, principalmente, antes de pegar a estrada.

Aquela velha premissa de que “não vai acontecer comigo”, já não cola mais. Hoje, com as estradas lotadas como estão, é logico que, proporcionalmente, ocorrem mais acidentes e muito mais gente viaja com o carro em petição de miséria, quase um crime doloso contra o próximo. E o resultado, na melhor das hipóteses, é terminar com o carro quebrado em cima de um guincho.

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Existem itens do carro, porém, que se quebrarem no meio de uma estrada podem causar um sério acidente, e normalmente eles estão ligados aos sistemas de undercar, ou seja, que sustentam o veículo: pneus, amortecedores, freios etc. Orientar o cliente a manter em ordem seus componentes faz parte do papel do mecânico, além de evitar acidentes, ainda é mais barato que a manutenção corretiva.

Aproveite a época que antecede as férias e as festas de fim de ano e aumente o fluxo de veículos e de serviços na sua oficina. Para isso, faça mala direta, contatos telefônicos, e-mail marketing e a divulgação boca a boca. Para atrair os clientes, use e abuse de promoções, pacotes com preços fechados de peças serviços, facilite o pagamento, e dê descontos. Você e o seu cliente só têm a ganhar.

Deixe claro para o consumidor que é essencial fazer a revisão de férias antes de viajar, usando com argumentos técnicos e bem fundados. Listamos os itens mais importantes a se checar antes de pegar a estrada e sugerimos alguns argumentos que podem lhe ajudar a convencer o seu cliente. Para isso, tivemos a ajuda do instrutor do SENAI-Vila Leopoldina, Fernando Landulfo.

” Pneus: é fundamental você mostrar ao seu cliente que a atenção com os pneus vem em primeiro lugar. Vale lembrar que todos os pneus comercializados devem ser homologados pelo INMETRO para garantir a qualidade e a durabilidade, procure sempre pelo selo da instituição. Existem algumas situações que você deve ficar de olho antes de liberar o carro do cliente:

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a) Pneus descalibrados (murchos): explique que aumentam o consumo de combustível, pois aumentam a resistência ao movimento. Fazem a direção puxar prejudicando a dirigibilidade e a estabilidade. Desgastam-se de forma irregular (laterais) diminuindo a sua vida útil. Se estiverem excessivamente murchos, superaquecem, podendo se autodestruir, podendo provocar acidentes.

Obs: Válvulas velhas tendem a vazar, murchando os pneus. A pressão deve ser a recomendada pelo fabricante do veículo, para cada condição de uso (carga normal ou carga total), sempre com os pneus frios. Calibrar pneus quentes acarreta no risco de se retirar ar de um pneu dilatado. Ao esfriar, ele vai ficar com menos ar do que deveria (murcho).

b) Pneus descalibrados (muito cheios): deixam o carro desconfortável (duro e pulando). Podem explodir durante a rodagem se a pressão for excessiva (risco de acidente). Desgastam-se de forma irregular (centro), diminuindo a sua vida útil.

c) Pneus carecas: talvez o caso mais grave, por isso, oriente seu cliente que esses componentes tendem a furar com maior facilidade, podendo provocar paradas não previstas ou acidentes. Em piso molhado, não drenam água e perdem aderência, podendo provocar aquaplanagem do veículo (risco de acidente grave). Podem se deformar, provocando vibrações indesejáveis. É importante medir a profundidade dos sulcos, se atingir 1,7mm ou mais raso, deve ser substituído. Faça a troca sempre pelo par de um mesmo eixo. Pneus desgastados têm diâmetro menor do que os novos. Logo, a substituição de apenas um pode afetar a dirigibilidade. Levante o veículo e gire as rodas, verifique se os pneus não estão com deformação lateral (comum em pneus muito velhos).

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d) Pneus inadequados ao veículo (índice de carga e velocidade): podem estourar, provocando acidentes graves. Não foram fabricados para suportar o peso do veículo, sua carga e a velocidade que este pode atingir.

e) Pneus com bolhas e trincas nas laterais ou com excesso de consertos: também podem estourar, provocando acidentes graves. A cordoalha que faz a resistência mecânica já se rompeu. Resta apenas a borracha. Checar os lados internos e externos.

g) Pneus inadequados ao veículo, com medidas diferentes no mesmo eixo: podem prejudicar a dirigibilidade e a estabilidade. O carro “puxa”, por isso verifique sempre as medidas de todos os pneus.

h) Pneus inadequados ao veículo com desenhos dos sulcos diferentes: além de prejudicar a dirigibilidade e a estabilidade em piso molhado, pneus com desenhos diferentes no mesmo eixo drenam a água de forma diferente.

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” Fluido de freio: o cliente deve saber que esse componente, se não for trocado no prazo de um ano ou com 10 mil km de uso, ficam contaminados com água e impurezas sólidas. O ponto de ebulição está bem diminuído, o que provoca a ebulição do fluido durante longas frenagens (trechos de serra). O pedal pode simplesmente “descer até o fim” durante a frenagem, ou seja, o veículo fica sem freios. Por sua vez, os contaminantes sólidos funcionam como abrasivos, desgastando prematuramente as partes internas do sistema como: cilindros mestres, cilindros de freios válvulas e centrais hidráulicas de ABS. A unidade também pode tornar o fluido ácido, atacando as partes internas do sistema.

a) Se o fluido estiver sujo (escuro) deve ser trocado. Se limpo, teste o ponto de ebulição com método recomendado pelo fabricante do veículo. Utilize sempre fluidos recomendados pelo fabricante do veículo, com a classificação DOT adequada, pois se for abaixo do recomendado, tem ponto de ebulição mais baixo que o limite necessário. A troca deve ser feita de acordo com a recomendação do fabricante do veículo, sobretudo se equipado com ABS (podem haver procedimentos especiais).

b) O fluido de freio não pode desaparecer do reservatório, ou seja, não é normal ser completado. Nesse caso, há vazamento. Pode ser externo e deixar manchas de fluido pelo chão e contaminar as lonas e pastilhas. Esse tipo de vazamento seca o reservatório rapidamente. O freio passa a falhar parcialmente (uma roda freia mais do que a outra, fazendo o veículo puxar bastante durante as frenagens à medida que o pedal desce). Finalmente, o fluido acaba e o pedal desce totalmente. Nesse caso, deve-se verificar todo o sistema à procura do fluido. Dê uma atenção especial aos flexíveis, que tendem a se deteriorar mais rapidamente. O vazamento também pode ser interno, nesse caso, o fluido passa do cilindro mestre (cujos reparos internos estão desgastados ou danificados) para o interior do servo freio. O único sintoma é a necessidade de se completar o fluido. Um dia, a admissão do motor passa a succionar esse fluido, que é queimado no motor, dando uma falsa impressão de motor queimando óleo.

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” Pastilhas de freio: explique ao cliente a importância de se manter em ordem as pastilhas, pois, se estiverem excessivamente gastas, tendem a fazer o pedal de freio baixar, dando a impressão de falta de fluido, ou presença de ar no circuito. O exame periódico e a troca preventiva evita que se acabem durante uma viagem que exige frenagens longas (serra).

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a) Se o elemento de desgaste da pastilha acaba, a chapa de base (aço) passa a se atritar diretamente com o disco. O freio perde muito da sua eficiência e bastante ruidoso. Risco de acidente grave. Por sua vez, o disco se desgasta rapidamente (perde-se a peça).

c) Pastilhas muito duras fazem pouco pó, mas desgastam rapidamente o disco. Já as pastilhas muito moles podem “empastar” no disco, deixando o freio com aspecto de “borrachudo”. O ideal são pastilhas recomendadas pelo fabricante do veículo ou pelo fabricante do sistema de freios (genuínas ou originais).

d) Observe a espessura dos elementos de desgaste. Se estiverem muito finos, na véspera de uma viagem longa, substitua-os. A troca de pastilhas exige uma retífica (regularização da superfície) ou substituição dos discos de freio.

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” Discos de freio: esclareça ao cliente que discos excessivamente gastos apresentam o mesmo sintoma das pastilhas excessivamente gastas. No entanto, em casos extremos, podem se quebrar durante uma frenagem de emergência. Via de regra, quando abaixo da espessura mínima recomendada, tendem a empenar, provocando vibrações no pedal durante as frenagens.

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a) Devem ter suas superfícies regularizadas (retífica) ou serem substituídos na troca das pastilhas. O critério é a espessura mínima recomendada pelo fabricante.

b) Deve-se examinar visualmente o estado dos discos, na ocasião da inspeção das pastilhas. Se apresentarem um visual de desgaste acentuado e irregularidade da superfície de contato, meça a espessura. Se estiver muito próxima da mínima recomendada, faça a substituição. Retíficas mal feitas podem deixar o disco empenado, o que provocará vibrações no pedal.

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” Amortecedores: não existe um teste fora do laboratório do fabricante que possa afirmar com 100% de precisão qual o estado e a vida útil de um amortecedor. A quilometragem de substituição é feita por meio de cálculo estatístico, estimando-se o número de ciclos que realizou durante uma certa quilometragem (30.000 a 40.000 km). Após esse determinado número de ciclos, sua vida útil é considerada finalizada. Na prática, isso pode variar, de acordo com o piso sobre o qual o veículo roda: quanto mais regular, maior será a sobrevida da peça. A inspeção é visual. Deve-se buscar por vazamentos, ruídos (batidas) e falta de amortecimento em piso irregular (excesso de oscilações), que também podem indicar o fim da vida útil da peça. Lembre-se que sua função é a de reduzir a velocidade das oscilações da suspensão.

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a) Um amortecedor vencido pode não mais amortecer ou travar. Se não amortece mais, a suspensão oscila demasiadamente. Se trava, a suspensão emperra (ruídos e batidas), como consequência, a perda de estabilidade e o risco de acidentes graves.

b) Quem suporta o peso do veículo e sua carga são as molas. Logo, amortecedores novos montados com molas cansadas se desgastam mais rápido. A troca dos batentes e rolamentos do amortecedor evita ruídos na suspensão.

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” Molas: lembre-se de quem suporta o peso do veículo e sua carga são as molas. Quando se desgastam (fadiga) o veículo tende a abaixar (principalmente, a frente). Se não trocadas, sobrecarregam o amortecedor, diminuindo a sua vida útil.

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a) Veículos abaixados (não rebaixados) tendem a não alinhar corretamente, pois os ângulos são calculados para uma determinada altura do veículo em relação ao solo, consequência: desgaste dos pneus e possível perda da estabilidade e dirigibilidade.

b) O exame se dá medindo-se a altura do veículo em e relação ao solo (deve se encontrar dentro das especificações do fabricante).

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” Batentes e borrachas: esses componentes mantém a suspensão dentro do seu curso de projeto, além de manter as peças (molas, amortecedores e braços) nas devidas posições. O desgaste provoca ruídos (metal com metal, batidas) e curso excessivo da suspensão. Tem-se com isso desconforto e possível perda da dirigibilidade e estabilidade. Mancais de braços desgastados mudam a posição fixa e a sua trajetória. Com isso, torna-se quase impossível alinhar corretamente o veículo (desgaste de pneus e perda da dirigibilidade e da estabilidade). O exame é via de regra visual.

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