Fernando Calmon | Intervencionismo atrapalha



Governos, com certa frequência, mais prejudicam do que ajudam em assuntos envolvendo a indústria automobilística, por si só bastante complexa por sua extensa cadeia produtiva e os próprios riscos do negócio. Há exemplos agora na França – fusão FCA-Renault – e no Brasil – mudanças no Código de Trânsito.

O bem articulado plano de fusão dos grupos ítalo-americano e francês esbarrou em exigências nada racionais do governo francês, como previsto nessa Coluna. FCA simplesmente retirou sua oferta e deixou os políticos falando sozinhos, após exigências descabidas como manter a sede na França ou garantia absoluta de empregos. Nissan, por sua vez, defendeu maior influência sobre decisões dentro da aliança de duas décadas com a Renault.

A posição brusca da FCA não significa que tudo terminou. O governo da França baixou o tom. Admite diminuir de 15% para 7,5% sua participação (com poder de veto) na Renault e também acena para um papel maior da Nissan que se diz prejudicada por ser, ultimamente, maior que a Renault em produção e resultados. O imbróglio não está fácil de resolver. O negócio ainda pode sair, sem se tornar uma novela por meses.

Aqui, mudanças por projeto de lei do Código de Trânsito Brasileiro provocam muita polêmica. Quem decidirá é o Congresso, sem prazo. Ninguém desconhece a importância dos banquinhos infantis para segurança das crianças. O Governo Federal sugere trocar a multa por advertência escrita, porém os pontos continuariam a ser lançados no prontuário do motorista. Essa advertência, se bem redigida e com fotos de teste de colisão para maior dramaticidade, tem grande efeito educativo. No entanto, deveria valer, quando muito, apenas para a primeira infração. Mesmo a multa deveria vir acompanhada da advertência.

Hoje táxis, veículos escolares e carros de aplicativos registrados (considerados de aluguel) não são multados na ausência de dispositivos de retenção. Em outros países isso também levou a grandes discussões. A fiscalização enfrenta percalços por envolver a idade das crianças e até certidões de nascimento.

Quanto ao aumento de 20 para 40 pontos na apreensão da carteira, o meio-termo talvez fosse ideal: 30 pontos. Recentemente o tempo mínimo de suspensão foi aumentado de um mês para seis meses. Então não parece descabido elevar o limite de pontos, já que também o valor das multas sofreu forte correção. É pouco válido comparação entre países sem saber o critério utilizado de graduação de pontos. O sistema alemão parece racional ao estabelecer advertência por escrito, quando a pontuação do motorista está próxima ao limite.

Essa discussão estéril sobre “indústria da multa” parece ignorar que a arrecadação é tão elevada que já faz parte do orçamento de muitas prefeituras. Há quem defenda fiscalizar a fiscalização para evitar abusos, argumento risível.

Em um ponto, porém, o governo acertou: faróis acesos de dia só em rodovias de mão dupla, se aprovado pelos congressistas. Mesmo neste caso é um equívoco, com mais desvantagens do que vantagens. EUA têm a maior frota do mundo e lá nunca foi obrigatório, depois de vários estudos. O correto, como previsto agora, são luzes de uso diurno (DLR, em inglês) e um prazo de instalação nas fábricas.

Aumentar a validade da CNH de cinco para dez anos também é adequado.

ALTA RODA

ANFAVEA revisará para baixo sua previsão de exportações (em razão da forte queda de vendas na Argentina), o que também atingirá a produção em 2019. Fabricantes cortaram vagas ou deram férias, mas o crescimento do mercado interno continua firme: 12,5%. Isso ainda garantirá números de produção maiores em relação a 2018.

QUEM ainda duvidava do acerto do programa Rota 2030, melhor ficar mudo. Já se habilitaram 32 empresas entre fabricantes de veículos e de autopeças. Agrale, PSA e VW foram as primeiras, ainda em dezembro de 2018. FCA, GM e Renault mais recentemente. Todas investirão aqui em pesquisa e desenvolvimento. Nenhuma marca oriental ainda aderiu.

JETTA GLI com mesmo motor do Golf GTI, 230 cv/35,7 kgfm, foi lançado agora por R$ 144.490. O mexicano tem preço inferior ao hatch produzido no Paraná; surpreende por também ser fracionalmente mais rápido e veloz, apesar de maior massa. Trata-se de um sedã muito prazeroso de dirigir, ótimo porta-malas (510 litros) e bem equipado.

DEPOIS de pequenos ajustes de preço, o Honda WR-V tornou-se razoavelmente competitivo. Derivação aventureira mais extensa do Fit, destaca-se pela suspensão robusta e reações previsíveis mesmo com altura de rodagem maior. Estilo na parte traseira algo exagerado. Câmbio CVT precisa ser usado na posição “S” frequentemente para diminuir letargia de respostas.

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Engenharia Automotiva (sigla AEA) acaba de completar 35 anos. Por meio de seminários e premiações (este ano organizou a 13ª edição dedicada ao meio ambiente) colaborou para vários avanços tecnológicos do País. É mantida por 81 empresas, instituições governamentais e universidades, sempre em equilíbrio.

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Fernando Calmon: Percalços da tecnologia



Empresas ligadas à tecnologia da informação (TI) estão sob a mira de governos dos dois lados do Atlântico Norte. Apple, Facebook, Google e até a gigante do comércio digital Amazon perderam, nos últimos dias, em conjunto nada menos US$ 131 bilhões de valor de mercado. É 50% superior à capitalização em bolsa de valores do Grupo VW-Porsche, o maior do mundo em produção e vendas de veículos. Ou quase o valor da Toyota (US$ 166 bi), na cotação em 4 de junho.

Entre os problemas gerados pelo gigantismo estão, principalmente, a privacidade dos usuários e a tendência monopolista. Já se fala até em cisão induzida dos grupos, como aconteceu há um século na indústria do petróleo. Ou seja, de tempos em tempos, a história se repete.

No setor de mobilidade o cenário é um pouco menos exuberante. Acham, entretanto, que o conceito de propriedade de um veículo vai morrer em breve. E quase todos vão preferir usar aplicativos de transporte ou, simplesmente, alugar um carro por curtos períodos (até por horas). Nos EUA, por exemplo, o leasing é muito utilizado, mas nem por isso o desejo de posse de um automóvel considerado “seu” sofreu grandes abalos. Não há indícios de que isso mude tão cedo. Na Europa, compartilhamento parece mais palatável.

Vamos tomar o exemplo do Uber. Seu principal concorrente nos EUA, Lyft, decidiu antes abrir seu capital, porém suas ações desvalorizaram 30%. Uber até agora nunca teve um ano lucrativo, porém continua apostando em condução autônoma e assim independer de motoristas. Pouco antes de abrir seu capital na bolsa de Nova York, há cerca de um mês, a empresa foi cautelosa ao advertir que se trata de tecnologia cara, consome tempo de desenvolvimento e até admitiu deixar de alcançar todos os objetivos.
Esses “ataques de sinceridade” são normais nesses casos. Sua capitalização inicial foi inferior ao estimado, em parte por um momento ruim na bolsa nova-iorquina. Agora, contudo, se recuperou para algo em torno de US$ 60 bilhões.

Algumas vozes discordantes surgem sobre a real consequência no trânsito urbano. Estudo publicado há menos de um mês nos EUA mostra que piorou em São Francisco e em outras grandes cidades. A pesquisa concluiu que os diversos aplicativos concentram a demanda em áreas muito congestionadas e em horários de pico.

Aqui, também acontece. É usuários perceberam casos de ficar menos caro chamar um carro do que pagar a tarifa de transporte público. Isso se tornou explícito depois de o Uber “inventar” a modalidade Juntos, apenas a versão modernizada do antigo lotação em táxis ou veículos particulares.

Essas empresas de tecnologia, em geral, apresentam relacionamento com os clientes um tanto pusilânime. Em caso de reclamação se “escondem” atrás de comunicação somente por escrito, em troca de mensagens ou chats que parecem não ter fim. Contatos por voz, muitas vezes, são mais fáceis de resolver, mas procuram evitar a todo custo. Acaba por gerar irritação.

Experimente, por exemplo, apontar rotas inadequadas de aplicativos que tanto ajudam no dia a dia, mas que te levam ao lado errado da rua do seu destino. Período de lua de mel um dia acaba…

ALTA RODA

HYUNDAI dá pistas sobre a segunda geração do HB20, que deve chegar em outubro próximo. Espaço interno aumentará graças a 3 cm extras na distância entre eixos. Porta-malas também ficará um pouco maior. Novidade mecânica é o motor de 1 litro, turbo (120 cv) e injeção direta (hoje, indireta, menos eficiente). Atualização estilística chega depois de sete anos no mercado.

MOTOR turbo de 1,5 L e 173 cv (apenas a gasolina, não é ideal) tornou o Honda HR-V um dos três mais rápidos SUV compactos. Melhorias no acabamento, teto solar panorâmico e todas as luzes em LED destacam-se. Merecia conjunto de rodas exclusivo. Escapamento duplo diminuiu um pouco o porta-malas. Boa evolução no câmbio. Preço destoa: R$ 139.900.

VENDAS de automóveis e veículos comerciais leves e pesados ainda em ascensão. Nos primeiros cinco meses deste ano cresceram 12,5% em relação ao mesmo período de 2018. Os números foram ajudados pela recuperação forte de caminhões e ônibus. Presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., avalia estagnação nas expectativas até a conclusão das Reformas.

FORD abriu o leque na sua oferta de modelos da linhagem FreeStyle. Para o ano-modelo 2020, o Ka hatch oferece agora motor de 1 litro e preço menor: R$ 56.690 (câmbio manual). No caso do EcoSport, ao contrário, há uma versão mais cara que vai de R$ 87.290 a 93.290. Cor preta está no teto, colunas, grade, molduras dos faróis de neblina e retrovisores.

VINTE anos no mercado de rastreamento veicular levou a Ituran a atribuir o maior avanço neste setor ao recurso de Big Data. Análise e interpretação de grandes volumes de dados, de modo contínuo, acelerou o processo de localização e recuperação de veículos furtados ou roubados. Também ajudou na precificação menor do seguro pela precisão das informações.

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Fernando Calmon | Fusões Inevitáveis



Notícia era esperada, mas causou agitação no mundo da indústria automobilística. No início da semana, a proposta da FCA de se fundir com a Renault refletiu a atual e gravíssima pressão de custos do setor. Embora a marca francesa deixasse transparecer uma posição mais passiva que ativa, admitiu publicamente estudar a fusão.

Há algumas implicações em aberto. Olhando com profundidade o que ocorre hoje na Europa, a Renault está mais bem estabelecida na maioria dos mercados quanto aos automóveis, mas não produz SUVs de raiz como a Jeep e nem uma gama de picapes, a exemplo da RAM. FCA, por sua vez, apresenta situação financeira algo mais delicada e se atrasou nos pesados investimentos exigidos em elétricos e conectividade, além de depender da Waymo (Google) para veículos autônomos.

Por sua vez, a Renault tem participação do governo francês. Se este já foi contra uma fusão com a Nissan/Mitsubishi sem que os franceses dessem as cartas, o que diria da FCA? Aliás, nem mesmo se sabe o que acontecerá à aliança franco-nipônica sem a mão de ferro do executivo Carlos Ghosn responsável pela união, mais tempo que o esperado, de culturas tão diferentes. Uma integração franco-italiana significaria, também, vicissitudes históricas a superar. No Brasil, Fiat apresenta posição de mercado mais forte que a Renault, ao contrário da Europa.

Como já comentado aqui, a irreversível consolidação de grupos automobilísticos ainda reservará surpresas adiante. Apesar dos desmentidos e do Brexit, PSA (Peugeot-Citroën-Opel) reúne mais complementaridade com Jaguar Land Rover do que Renault-FCA. E a Nissan, se desvinculada da Renault, de qual grupo se aproximaria? Por outro lado, a hipotética megafusão Renault-Nissan-Mitsubishi-Fiat-Alfa Romeo-Maserati-Lancia-Jeep-Chrysler-Dodge-RAM superaria eventuais óbices de órgãos de defesa da concorrência? Um só país que fosse contra já atrapalharia…

Na mesma segunda-feira do anúncio oficial do “noivado” Renault-FCA, o Congresso Automotive Business Experience 2019 atraiu cerca de 2.000 participantes e nada menos de 151 palestrantes. Entre os vários pontos em debate, a coluna destaca alguns:

• Indústria aqui instalada ainda está longe da produtividade do exterior, mas em oitos anos o tempo gasto nas linhas de produção caiu 25%, automação subiu de 50% para 70% e houve redução de até nove meses no processo de desenvolvimento de um produto novo.

• Ambiente no campo da inovação ainda precisa melhorar bastante no Brasil. Há poucos sinais neste sentido.
• No futuro, com aumento de várias opções de compartilhamento e as fabricantes entrando profundamente no negócio de serviços, a busca tradicional da liderança de vendas deve ser substituída pelo maior número possível de quilômetros rodados. Os carros ficarão menos tempo parados do que hoje.

• Em algum momento, o avanço de SUVs observado em muitos mercados pode esbarrar em limitações de consumo de combustível, massa adicional e aerodinâmica menos refinada. Tendem a adotar mais rapidamente hibridização e eletrificação.

• Não há sinais de que veículos autônomos se tornem corriqueiros tão cedo. Os de Nível 4, onde volante e pedais podem ser até escamoteados para uso apenas eventual, utilizam equipamentos específicos que custam de 60 a 100 vezes mais que o atual Nível 2. Trazem reflexos insuportáveis ao preço final, salvo em aplicações comerciais intensivas, roteiros pré-estabelecidos e com infraestrutura compatível.

ALTA RODA

DENTRO do novo ciclo de investimentos da FCA no Brasil, que incluirá motores turboflex e os primeiros SUVs da marca Fiat, há outra iniciativa que chamou menos atenção, mas igualmente importante. Será construído, em Betim (MG), um centro de segurança veicular capaz de realizar testes de colisão. Até agora, só GM e VW dispõem desse tipo de instalação.

TOYOTA oferece a quinta geração do RAV4 apenas na versão híbrida (gasolina), a partir de 13 de junho. O SUV utiliza a mesma arquitetura do sedã médio-grande Camry, o que garante generoso espaço interno e amplo porta-malas (580 litros). Há três motores elétricos (no total, 120 cv) e motor a combustão 2,5 L (178 cv) com potência combinada de 222 cv. R$ 165.990 a 179.990.

PORSCHE 718 Boxster GTS é um roadster (conversível de dois lugares) com qualidades ímpares de dirigibilidade. Destacam-se motor central traseiro (4-cilindros opostos dois a dois, turbo de geometria variável, 365 cv) e suspensões ajustáveis do conforto à firmeza esportiva ao giro de um botão no volante. Freios potentes, direção muito precisa e acabamento primoroso.

HERE e Mitsubishi Electric (separada da fabricante japonesa) anunciaram novo avanço na conectividade entre veículos. Combina sensores capazes de detectar de um carro avariado a buracos na pista ao compartilhamento em tempo real, em “nuvem”, de forma automática. Outros usuários da via teriam informações com antecipação a fim de evitar transtornos e acidentes.

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Fernando Calmon | Meandros Da Segurança



Os brasileiros dão mais importância a alguns recursos de conectividade do que motoristas de alguns outros países, conforme pesquisa comparativa feita pela operadora Telefônica, na Europa. Um exemplo: 30% dos brasileiros estão interessados em acessar as mídias sociais em automóveis, contra apenas 9% no Reino Unido. No entanto, conectividade está intimamente ligada à segurança e esse dois temas levaram a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) a organizar um seminário semana passada em São Paulo (SP).

Quando se trata do conceito mais amplo de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês) o viés de segurança se impõe. De acordo com a Bright Consulting, há diferentes taxas de aplicação dos sistemas ADAS. Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês) e câmera de ré estão em 40% e 35%, respectivamente, dos veículos vendidos no Brasil e em 100% dos comercializados nos EUA.

No máximo 2% dos carros novos emplacados aqui vêm com detector de fadiga, assistente de manutenção de faixa e frenagem autônoma de emergência (AEB, em inglês). Na Europa a taxa de aplicação já supera 50% e os três itens estarão em 100%, obrigatoriamente, em 2021. As regulamentações no Brasil estão avançando e os cronogramas de adoção são mais lentos, basicamente pelo custo elevado das diferentes tecnologias e a necessidades de adaptações às condições de uso bastante severas no Brasil.

Entre os dispositivos citados o AEB reúne maior potencial de aumento da segurança viária por diminuir atropelamentos (ou a sua severidade) e até 40% das colisões em baixa e média velocidades (contra carros estacionados, em movimento ou parados, além de obstáculos fixos). Todos são fruto de distração, imprudência, negligência e algumas vezes de inabilidade ao volante.

Nos debates chamou-se atenção para o desenvolvimento de protocolos que levem em conta como os motoristas interagem com os sistemas de assistência e percebem as limitações. Os níveis de autonomia veicular variam de 1 a 5 em função da interatividade. Carros autônomos continuam a avançar, porém o prazo de sua chegada ao mercado ainda suscita dúvidas. Mesmo o nível 4, que dispensa qualquer atenção ao volante e aos pedais (eliminados no nível 5), ainda será muito caro para automóveis particulares. Esperam-se, primeiramente, aplicações comerciais, em frotas de uso intensivo e roteiros específicos.

A STÄRKX Automotive lembrou um ponto importante que, se esquecido, traz sérios problemas. Todos os sensores ADAS aplicados em espelhos retrovisores, para-brisas, grades, para-choques e outros componentes menos visíveis precisam ser recalibrados após uma colisão, substituição ou simples remoção para manutenção.

Também se deve considerar que carros elétricos estão suscetíveis a problemas de segurança específicos, quando enfrentam alagamentos ou sofrem colisões mais severas. Nesse casos, melhor se afastar imediatamente e procurar socorro especializado. Por esses motivos companhias no exterior estão cobrando muito caro pelo preço do seguro.

ALTA RODA

MINISTRO da Economia, Paulo Guedes, acenou para uma gradual redução das tarifas de importação. Uma curva progressiva: 1 ponto percentual (pp), no primeiro ano; 2 pp, no segundo; 3 pp, no terceiro; 4 pp, no quarto. No caso de automóveis significaria o imposto de importação cair dos atuais 35% para 25% ao longo de quatro anos, pela interpretação da coluna. 25% é tarifa máxima imposta pelos EUA à China, por exemplo. Resta saber se a indústria teria condições para exportar sem os impostos hoje incidentes.

RENAULT Kwid Outsider segue a fórmula aventureira, porém trilha o caminho de chamar atenção sem exageros. Preço de R$ 43.990 dentro do razoável. Há uma mudança mecânica estendida a todos os Kwids: freio dianteiro a disco ventilado, novo servofreio e pistões de pinça maiores. Sensação de toque e progressividade no pedal ficou melhor.

VERSÃO intermediária Comfortline do VW T-Cross – motor turboflex de 1 litro e câmbio automático 6-marchas – tem boa desenvoltura em cidade e nem tanto em estrada. O modelo de entrada, com câmbio manual, surpreende pela agilidade em qualquer situação. Espaço interno, ergonomia e comportamento dinâmico superam a média dos concorrentes.

NISSAN inaugurou na semana passada um Estúdio de Design, em São Paulo (SP), para aproveitar talentos locais no desenvolvimento de séries especiais e colaborar em projetos no exterior que podem chegar ao Brasil e em outros mercados. Líder da equipe é o americano de origem vietnamita John Sahs e conta, inicialmente, com seis especialistas brasileiros.

FERRAMENTA inovadora desenvolvida pelo consórcio digital www.carroparatodos.com.br, em parceria com o Grupo Disal, ajuda a planejar um possível lance vencedor por meio de simulações estatísticas e um algoritmo específico. Todo o processo é feito online e permite ao interessado uma flexibilidade na entrega do veículo, sem depender apenas da sorte.

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Fernando Calmon | Torcer para dar certo



Na primeira quarta-feira de maio de 1999, esta coluna estreou em 12 jornais brasileiros. Agora, duas décadas depois, mais de 80 jornais, revistas, portais, sites e blogs espalhados pelo País a reproduzem.

Entre os assuntos daquele primeiro artigo estava a guerra fiscal. O Estado do Rio Grande do Sul tinha resolvido romper unilateralmente o contrato para construção, com incentivos, de uma nova fábrica de automóveis da Ford em Guaíba (RS). A Bahia, no entanto, aceitou as condições e a empresa se instalou em Camaçari. Vinte anos se passaram e é fácil concluir quem saiu ganhando nessa história, inclusive nas contas públicas e no nível de emprego industrial.

Naquele primeiro artigo foram citados vários exemplos de cidades ou Estados ao redor do mundo, inclusive o Estado de Nova York (EUA), que concederam descontos nos impostos para atrair investimentos. Interessante notar que o Estado de São Paulo não entrou nas batalhas fiscais e, ainda assim, recebeu algumas fábricas novas.

Mas, como o mundo dá voltas, quem participa agora das escaramuças? O governo paulista. Em decisão pragmática, criou o programa IncentivAuto que teve adesão da GM e, possivelmente, da Toyota e da Scania para começar. Pela boa infraestrutura, o nível de incentivo (2,5% de desconto no ICMS para cada R$ 1 bilhão aplicado) é muito menor do que em outros Estados.

Competitividade, porém, para garantir investimentos, continua sendo a palavra-chave. Quando o peso dos impostos é grande demais, distorções aparecem. O Brasil usa e abusa desse expediente: o automóvel de menor preço recolhe, nominalmente, cerca de cinco vezes mais que nos EUA e 2,5 vezes mais que na União Europeia (à exceção da Dinamarca). A indústria automobilística instalada aqui precisa também exportar muito, sem ficar dependente só do mercado argentino, na prática, mera extensão do nosso.

O México, por exemplo, tem custos de produção 18 pontos percentuais menores que o Brasil, segundo estudo da consultoria PwC. Eles se beneficiam não apenas da proximidade do mercado americano. Assinaram 12 tratados de livre comércio com 46 países e 32 acordos bilaterais. No nosso caso, são seis tratados com 11 países e 21 acordos bi e multilaterais. A carga fiscal sobre automóveis no mercado mexicano é igual à da Europa, como deveria ocorrer aqui.

O livre comércio de veículos entre Brasil e México, sem cotas ou imposto de importação, começou no último mês de março. Mas só em 2020 incluirá caminhões pesados, segmento em que o País é bastante competitivo e nunca pôde vender livremente para lá, desde o primeiro acordo em 2002. Outra característica, que dificulta para quem quer exportar para o México, é a importação de veículos usados dos EUA. Esse problema já foi maior, mas ainda existe.

Luiz Carlos Moraes, novo presidente da Anfavea, sabe que o atual governo federal tem posição econômica liberal e antiprotecionista. Ele sugere medidas para estimular o comércio exterior, melhorar a logística e reduzir a carga tributária. “Trará nova dinâmica em diversos segmentos da economia, não somente o automobilístico”, acrescenta.

Resta torcer para tudo dar certo.
ALTA RODA

ENQUANTO as vendas de automóveis e veículos comerciais acumuladas no primeiro quadrimestre deste ano, em relação a igual período de 2018, continuam 10,1% superiores, a produção na mesma comparação estagnou. Cenário provocado pela queda de 45% nas exportações em razão da depressão econômica na Argentina. Aqui, estoques de 40 dias estão 14% acima do normal.

OUTRO termômetro do mercado interno – venda de veículos usados – mostra uma “tênue linha de recuo (1,2%) nos números acumulados de janeiro a abril, em relação a 2018”, segundo a Fenauto, associação nacional de comerciantes desse ramo. A entidade atribui a sinais de pequena queda no Índice de Confiança do Consumidor, mas não tem previsão ainda para 2019.

HYUNDAI CRETA Prestige, SUV compacto mais vendido em 2018 e quarto em 2019, destaca-se pelo espaço interno, porta-malas amplo e recursos como saídas de ar-condicionado para o banco traseiro, TV a bordo, ventilação do banco do motorista e pulseira-relógio que serve como chave presencial. Motor é bastante elástico, mas cilindrada de 2 litros cobra em consumo.

LEMA deste ano da campanha Maio Amarelo, do Observatório Nacional de Segurança Viária, é simples e direto: “No trânsito o sentido é a vida”. No filme de divulgação, crianças pedem aos adultos para respeitar as regras de boas atitudes ao volante. Inspirado nos cinco sentidos humanos, chama atenção para a sinalização de trânsito que costuma ser desrespeitada.

DÉCIMA versão do sistema operacional Android para smartphones chega ao Brasil no segundo semestre. Traz um prático recurso, que tem por base a tecnologia de predição, no intuito de antecipar os próximos passos do usuário. Quando alguém enviar um endereço, bastará tocar na tela para abrir diretamente no Google Maps e navegar até o destino.

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Fernando Calmon | Automec aponta bom sinal

A 14ª edição da Automec,
feira internacional bienal de autopeças realizada semana passada em São Paulo,
superou as expectativas. Ocupou todo espaço disponível de 90 mil m², além de 20
mil² de área de interação. Atraiu 75 mil visitantes, a grande maioria de
profissionais, e se transformou na segunda maior deste setor no mundo. É o maior
evento comercial da América Latina, segundo a Reed Exhibitions, pois as rodadas
de negócios nacionais e internacionais somaram R$ 77 milhões.



O setor de reposição de autopeças espera movimentar até 2022
cerca de R$ 142 bilhões, segundo estudo da consultoria McKinsey. Em 2017 foram R$
95 bilhões.



Embalada com o crescimento no faturamento de 12,8% no primeiro bimestre deste ano, em
relação ao mesmo período de 2018, a indústria brasileira de autopeças não perdeu a oportunidade de
“marcar terreno” para enfrentar forte concorrência do exterior, em especial da
China, Turquia, Índia e Coreia do Sul, além de fabricantes da América do
Sul.



O pavilhão
internacional atraiu 580 marcas de 26 países, 200 a mais do que em 2017. China
liderou com 10% do total dos estandes. Além de Índia, Turquia e Coreia do Sul
os alemães vieram pela primeira vez. Estrangeiros representaram mais de um
terço dos 1.500 expositores.



Um evento importante foi o Encontro da Indústria de
Autopeças. “Vivemos momentos de disruptura em todas as atividades. Na nossa,
isso é ampliado pela forte concorrência mundial e novos rumos da mobilidade,
conectividade, automação e eletrificação dos automóveis’, afirmou Dan Iochpe,
presidente do Sindipeças.



Herbert Demel, CEO da canadense Magna e ex-presidente da VW
do Brasil, ressaltou que o poder de compra no Brasil triplicou desde 1980. “Os
negócios vão florescer principalmente porque o País tem o etanol, que poderá
ser muito bem utilizado em motores híbridos.”



Sobre o futuro da eletrificação continua a falta de
consenso. Volker Barth, ex-presidente da Delphi do Brasil e hoje diretor da
consultoria americana The Horizons Group, enfatizou: “Eu não acredito que o
futuro seja o automóvel elétrico com bateria. Acho que muita gente corre
depressa demais por esse caminho.”



Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, destacou que
sua empresa investe na eletrificação, mas dá um passo de cada vez. “Acreditamos
que híbridos flex, como nosso Corolla, proporcionarão escala de produção mais
imediata. Não seria tão viável iniciar com um produto totalmente elétrico”.



Para Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, a
indústria brasileira precisa fugir de amarras tributárias. “Nossos custos de
produção são inferiores cerca de 10% em relação a um modelo equivalente nos
EUA. Mas quando chega às concessionárias aqui, o carro custa até 35% mais caro.
Não é possível ser competitivo com uma carga tributária de 40 a 50% do preço
final de um veículo”.



Entre muitas novidades que foram apresentadas nesta Automec,
o revolucionário filtro sem papel da italiana UFI, o óleo lubrificante
sintético da brasileira Petrol e o adesivo universal da alemã Loctite para
restauração de rodas de liga leve trincadas em menos de meia hora.



ALTA RODA



DISCRETAMENTE,
Mercedes-Benz anunciou que sua picape média Classe X não será mais fabricada na
Argentina. A empresa realocou investimentos e não garantiu que importará o
modelo produzido na Espanha. Situação econômica do país vizinho pode ser uma das
causas. Fica no limbo a picape Renault Alaskan, já adiada para 2020. Nissan
Frontier é base das três picapes.



ALTURA de rodagem
elevada em 4 cm deixou a versão aventureira Trekking, do Fiat Argo, pronta para
incursões leves fora de estrada e enfrentar obstáculos “naturais” de ruas e
estradas. São 21 cm de vão livre com pneus de uso misto e perfil alto. Teto
pintado de preto e aplique da mesma cor no capô chamam atenção. Entre quatro
concorrentes diretos, preço competitivo: R$ 58.990.



FORD importa,
agora, o SUV médio Edge apenas na versão esportivada ST. Os 335 cv (51 a mais)
e 54,4 kgfm trazem boas sensações. Câmbio automático de oito marchas, rodas de
21 pol., molas até 20% mais firmes e barra estabilizadora de maior diâmetro
estão coerentes com a proposta. Carrega celular por indução e oferece nível 2
de condução autônoma. R$ 299.900.



MUDOU bastante o
estilo do novo Mitsubishi Pajero Sport, importado da Tailândia. Ficou melhor,
porém lanternas traseiras são audaciosas demais. Conforto interno (sete
lugares) melhorou com 10 saídas de ar-condicionado. Suspensão traseira manteve
eixo rígido e adota molas helicoidais com três braços. Avançou em eletrônica de
bordo e também no preço: R$ 265.990.



ESPAÇO para estimular
novas ideias e criação de aplicativo para carros compartilhados (inicialmente
para funcionários da fábrica) são as primeiras ações desenvolvidas pelo Renault
Lab, no Cubo Itaú, em São Paulo. A marca francesa aposta na criatividade
brasileira.



RESSALVA: SUV de
topo da Chery é o Tiggo 8 e não T8, como publicado semana passada.

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Lucas lança bombas de água, óleo e transferência para linha de pesados

A Lucas, fabricante de autopeças, lança sua linha para pesados de bombas de água, óleo e transferência. Segundo a empresa, a linha que está sendo apresentada na Automec 2019 conta com produtos com alta performance, durabilidade e desempenho (pressão, vazão, temperatura).



“Essa a primeira vez que a Lucas traz sua linha de bombas para o Brasil, com a força e confiabilidade de uma marca reconhecida mundialmente, apoiada em uma expertise de mais de 40 anos no segmento. Temos a expectativa de ser um dos três principais players em bombas para veículos pesados em cinco anos”, destaca o diretor da BRLight, detentora da marca Lucas na América do Sul, Mario Morelli.




Fernando Calmon | Xangai na corrida tecnológica

A grandiosidade característica do país com maior número de
habitantes – 1,3 bilhão, alguns estimam até 1,4 bi, pois nem o governo chinês
sabe com certeza – se reflete com clareza no Salão do Automóvel de Xangai.
Alguns levantamentos, como do site inglês just-auto,
contabilizam mais de 100 lançamentos, a grande maioria focada no mercado interno,
além de 136 apresentações à imprensa. Os organizadores informam 360.000 m² de
área de exposição, mais que o triplo da São Paulo Expo, mas o público só tem
acesso por oito dias (18 a 25 de abril).



O mercado interno chinês, também o maior do mundo (em torno de
27 milhões de veículos leves e pesados ou 60% a mais que os EUA), caiu pouco
menos de 4% no ano passado pela primeira vez em quase duas décadas. Mas há
lugar para tudo. A mostra chinesa teve algumas estreias mundiais como os BMW
X3M, X4M e X7, Mercedes-Benz GLB (modelo intermediário entre GLA e GLC para
sete lugares), Porsche Cayenne cupê, além do Lamborghini Huracán Evo.



A VW criou até a submarca Jetta, exclusiva para o mercado
local, que replica modelos modificados da espanhola Seat e outros que só
existem por lá. A empresa alemã quer se aproximar mais da JAC e tentar adquirir
a maior parte de suas ações, permitido pelo governo chinês desde o ano passado,
quando caíram o limite de 50% e a obrigação de um sócio local. Por enquanto,
porém, há mais especulações do que fatos.



SUVs continuam atraindo atenção nos vários mercados
mundiais, contudo na China essa onda não é tão dominante. No entanto, dá para
notar como regra geral, desenhos de carroceria mais arrojados, linhas traseiras
elaboradas, além de lanternas dianteiras e traseiras com formatos inusitados
permitidos pela tecnologia dominante de LED.



Como maior mercado mundial também para veículos elétricos e híbridos,
Xangai foi um verdadeiro festival. Desde o subcompacto Renault City K-Ze (dá
boa indicação da evolução estilística do Kwid) até o surpreendente BYD e-SEED
GT, todos ainda como carros-conceito, a exemplo do Audi AI:ME e do VW ID.
Roomzz.



A guinada chinesa para os elétricos vai muito além da visão
ambiental. Eles cansaram de perder a corrida para o Ocidente em motores
convencionais e querem depender menos do petróleo, embora suas usinas elétricas
movidas a carvão só piorem as emissões brutas de CO2. No entanto,
apostam pesado em IA (inteligência artificial), telefonia 5G e soluções
sofisticadas de reconhecimento de voz e de face que vão marcar os maiores
avanços tecnológicos da indústria automobilística nos próximos cinco a dez
anos.



Entre os modelos que interessam diretamente ao mercado
brasileiro surgiram o Chevrolet Tracker e o Hyundai ix25, aqui lançado como
Creta, mas a versão brasileira não deve ousar tanto quanto a chinesa. Também
apareceu por lá o novo Nissan Sentra que, finalmente, perdeu seu ar
excessivamente conservador.



A Chery exibiu o SUV de topo Tiggo 8 evoluído em relação ao
exibido no Salão de São Paulo, em novembro último. As modificações estarão no
modelo a ser produzido em Anápolis (GO) no final deste ano. O sedã Arrizo 5
recebeu mudanças internas e também estreou o novo Arrizo 6, do mesmo porte de
Corolla e Civic.



ALTA RODA



FORTES rumores
indicam que a VW poderá fabricar sua nova picape médio-pequena na fábrica
argentina de Pacheco e não em São José dos Pinhais (PR). Planos de exportação
para mais de 50 países (Tarok está sendo exibida no Salão de Nova York até 28
de abril) explicariam a escolha. Pacheco terá espaço livre com deslocamento da
Amarok para instalação vizinha da Ford.



RENAULT ampliou
seu programa de mobilidade. Além da operação de aluguel temporário de modelos
convencionais para funcionários na fábrica paranaense, disponibiliza agora uma
unidade do elétrico Zoe em São Paulo. Incluiu também integrantes de startups abrigadas
no Cubo, centro de inovação do Itaú, onde está o Renault Lab. Preço atrai: R$ 6
por 15 minutos de uso.



NISSAN KICKS tem bom desempenho em uso urbano
e consumo de combustível contido por seu baixo peso (1.142 kg). Interior agradável
e porta-malas (432 litros) também se destacam. Em estrada falta algum fôlego e exige
usar o modo “S” (botão mal localizado) do câmbio automático CVT. Muito útil o
aviso de risco de colisão em baixas velocidades com frenagem automática.



FIAT acaba de
fazer testes de longa duração, na Itália, com nova proposta de combustível.
Mistura de 20% de álcool (15% de metanol e 5% de etanol) na gasolina. O
desempenho dos carros melhorou e as emissões de CO2 caíram 3%. Cada Fiat
500 da frota rodou 50.000 km em 13 meses. Só aqui pessoas desinformadas acham
que nosso gasool “piora” a gasolina…



COMEÇAM no
próximo mês as vendas de bafômetros individuais da marca francesa LeBallon. São
opção segura para o motorista checar se passou o efeito de bebida alcoólica,
antes de assumir o volante. Apenas um copo de cerveja ou taça de vinho exigem um
tempo até não deixar mais traços no organismo. A peça, importada, é cara: R$
100, na internet.



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Fernando Calmon | Pontuação em discussão

A proposta de aumento de 20 para 40 pontos em multas que
levem à suspensão temporária da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), enviada
pelo Governo Federal ao Congresso, precisa ser mais bem discutida. Até quando
se compara com outros países, é necessário estudar a sistemática que cada um
adota. Não existe uma regra geral ou mais aplicada. No Brasil, há algumas peculiaridades,
entre elas uma fiscalização eletrônica rigorosa, muitas vezes em forma de
armadilha, pois faz alguns anos que caiu a obrigatoriedade de sinalizar sua
existência, ao contrário de vários países.



Entre as distorções está o próprio processo de atribuição de
pontos, que mistura faltas administrativas e infrações de trânsito. Um exemplo
é o rodízio veicular da cidade de São Paulo, onde não há indicações das ruas e
dos finais de placas afetados. Outro problema é o aumento recente do período
mínimo de suspensão da CNH de um para seis meses. Essa mudança foi feita sem
alterar os 20 pontos para suspender a CNH e isso precisaria ser repensado.



Fica sem sentido uma suspensão de seis meses por
transgressões menores. O sistema anterior estava bem balanceado, quanto mais
que as multas estão sujeitas, desde 2016, a sofrer correção de valores pela
inflação, em clara oposição ao processo geral de desindexação da economia.



O valor maior até já diminuiu o número de infrações e arrecadação
das prefeituras. Estas não podem utilizar esse dinheiro fora do previsto pelo
Código de Trânsito Brasileiro – educação e ações de segurança como sinalização
–, mas se tornou letra-morta. Que, ao menos, se obrigue então a tapar buracos e
melhorar as condições das vias.



O critério utilizado na Itália parece o mais justo. Lá a
pontuação apresenta o viés educativo de aumentar a margem para suspensão da
carteira em razão do número de anos em que o motorista não recebe nenhuma multa.
Nesse caso, seria aceitável aumentar o limite para até 30 pontos, por exemplo, se
o motorista ficasse três ou quatro anos sem cometer infrações. Aqui cada
pontuação prescreve depois de 12 meses, independentemente da gravidade: andar
na contramão ou estacionar em local proibido.



As chamadas lombadas eletrônicas, apesar de muitas vezes
impingirem limites completamente abaixo da realidade, pelo menos estão à vista
de todos, em totens. As aberrações aparecem quando um determinado radar multa
20 ou 30 vezes mais que a média dos demais, como acontece com alguma frequência
e sem estudos que embasem tal rigor.



Países com maior número de carros por habitante que o Brasil
apresentam trânsito mais seguro. Basta ver o número de mortos e feridos na
Europa ou EUA em relação à frota registrada. A conscientização começa nas
escolas, passa por um processo de habilitação bastante rigoroso e fiscalização
justa, sem pegadinhas.



Apesar disso, há alguma distorção, mesmo no exterior.
Motoristas profissionais na França, por exemplo, podem dirigir sem cinto de segurança.
Basta entrar em um táxi em Paris ou outra cidade. Se perguntados, eles confirmam,
alegam o cinto incomodar, mas lembram com algum cinismo que motoristas de
aplicativos são obrigados a usar.



ALTA RODA



TOYOTA acaba de confirmar
que produzirá a nova geração do Corolla também na versão híbrida (pela primeira
vez no mundo com motor flex), em Indaiatuba (SP). Lançamento previsto para
setembro próximo e comercialização simultânea da versão convencional que estreia,
igualmente novos, motor de 2 litros (maior potência e torque) e câmbio CVT de
melhor resposta.



NOVO Onix sedã
(produção, setembro; entregas, outubro) terá mesmo um novo motor turbo de 1
litro e três cilindros. Porte é quase o mesmo do Cobalt. Um mês depois virá o hatch
que, por ser menor, oferecerá versão com motor de aspiração natural. Nome Onix,
nascido no Brasil, agora se torna global. Antes, só EcoSport tinha saído daqui
para o mundo.



MOTOR 1,6 L
aspirado, apesar de entregar 51 cv a menos que a versão turbo THP, deixa o
Citroën C4 Cactus perfeitamente aceitável em termos de desempenho. O “segredo”
é o ajuste fino do câmbio automático Aisin de seis marchas e a possibilidade de
acionar o modo “S” para respostas imediatas ao acelerador. Ajudam também 46 kg
a menos e 4 cv a mais que o C3 Exclusive.



CARROS autônomos
continuam em desenvolvimento, mas o presidente mundial da Ford, Jim Hackett,
admitiu: “A tecnologia vai demorar mais para amadurecer do que o esperado”. Isso
dentro de um programa de investimento de US$ 5 bilhões. Ele ainda tem planos
de, em 2021, rodar uma frota de teste, mas dentro de limitações. “Tudo é muito
complexo”, ressalvou.



SEGUNDO estudo da
Bright Consulting, o estímulo de 1 ponto percentual no IPI para fabricantes que
superarem a meta obrigatória de consumo de combustível em 5,7%, significa cerca
de R$ 400 em um modelo com preço público de R$ 50.000. Para 10,8% de economia,
ganham 2 pontos percentuais de IPI, em torno de R$ 800,00. Nada fácil: tecnologias
envolvidas são caras.



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Fernando Calmon | Compartilhar é para valer?



Maior parte do mundo corre para diminuir emissões de gás carbônico (CO2) no intuito de limitar o aquecimento da atmosfera e consequentes mudanças climáticas. Ritmo e intensidade não são os mesmos em todos os países. Automóveis respondem por até 20% do efeito estufa, da produção primária do combustível ao que sai pelos escapamentos. Países europeus querem impor solução elétrica a um custo demasiadamente alto e cercado de incertezas.

Há, porém, soluções racionais e a preço menor. Uma delas é carona solidária preconizada pela empresa francesa BlaBlaCar, atuante também no Brasil. Ela apresentou um estudo sobre o potencial de parte dos carros trafegar com quatro pessoas a bordo. Apenas 1,6% a mais de automóveis na estrada permite transportar três vezes mais passageiros com 26% menos emissões de CO2.

Outra possibilidade é ampliar serviços de carona paga, por aplicativos de transporte. Podem ajudar a retirar veículos das ruas, mas como rodam um bom tempo vazios desconfia-se que ajudariam pouco a diminuir o consumo de combustível e, por consequência, o principal gás de efeito estufa.

Também existe a possibilidade de trocar a propriedade de um veículo por uso compartilhado e há dezenas de empresas no mundo oferecendo tais serviços. Deixando, agora, o aspecto ambiental de lado para focar na mudança de hábitos. Será que existe mesmo esse desejo latente e ardente de olhar para um carro que é seu, mas fica até 80% do tempo parado, e trocá-lo simplesmente por um serviço de transporte em que cada vez se dirige um carro diferente?

Europeus simpatizam com a ideia, porém americanos bem menos, como ficou demonstrado em matéria de capa da revista Dealer, da Fenabrave. No Brasil, para cada veículo novo vendem-se entre 4 e 4,5 usados. Isso gera grande receita para portais e sites especializados em anúncios on line. Seria o compartilhamento uma ameaça para concessionárias, lojistas e comércio eletrônico? Veja a opinião de quatro executivos deste último setor:

Caio Ribeiro (Mercado Livre) – “Hoje o carro é o meio de transporte preferido pelos brasileiros e esse cenário deve se manter por muitos anos. Há interesse, ainda que limitado, por aluguel de automóveis por curtos períodos, inclusive via compartilhamento. E estamos preparados para essa demanda.”

Eduardo Jurcevic (Webmotors, do Santander) – “Pessoas podem continuar a ter carro e ainda usar diferentes modais de mobilidade. Isso varia de cidade para cidade. Tentar dar mais acesso é o nosso papel e investiremos nisso. A experiência de compartilhamento pode despertar também o desejo de compra.”

Giselle Tachinardi (OLX Brazil) – “Nós permanecemos atentos às oportunidades em veículos compartilhados, mas o amadurecimento da ideia será demorado aqui. Na cidade de São Paulo pode vir mais forte. Estive nos EUA e vi que também lá os cenários não apontam para guinadas.”

Ricardo Bonzo (iCarros, do Itaú Unibanco) – “Enxergamos os movimentos de mudanças no que se refere à mobilidade, mas temos convicção de que concessionárias continuarão sendo parte fundamental. Uma opção seria locação de carros usados em seus estoques ou mesmo assinaturas para uso em diferentes prazos.”

ALTA RODA

PRIMEIRO trimestre fechou com alta de 11,4% nas vendas de veículos leves e pesados sobre o mesmo período de 2018. Queda de 42% nas exportações (impactadas pela colossal queda do mercado argentino) levou a 1% de declínio na produção e 1.000 empregos a menos. Estoques totais de 41 dias estão cerca de 20% acima do normal (35 dias), mas devem melhorar em abril.

SEGUNDO dados do Banco Central, a indústria automobilística respondeu no ano passado por 25% de todo o modesto crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de tudo gerado pela economia brasileira). Em 2018, as vendas totais subiram 14,5% sobre 2017. Em 2019, Anfavea prevê 11,4% acima do ano passado. Fenabrave mantém previsão semelhante.

FORD ainda não decidiu se oferecerá, opcionalmente, pneus que rodam vazios (run flat) para outras versões do EcoSport além da topo de linha Titanium. Visual fica mais limpo na parte traseira sem estepe pendurado. Pequenos ajustes nas suspensões mantiveram conforto de rodagem no dia a dia, apesar dos flancos dos pneus mais rígidos que resistem bem aos buracos.

TANTO Jeep quanto Mitsubishi não deixaram passar em branco o dia 4/4 (4 de abril), tornado símbolo da tração total (4×4) ao redor do mundo. Marca americana lançou série especial Compass S, com teto preto e pintura grafite nas rodas, por R$ 187.990. Curso básico de 4×4, na Fazenda Coronel Jacinto, São Paulo foi relembrado pela marca japonesa.

SEMPRE bom insistir sobre a eficácia dos cintos de segurança para preservar vidas. Dados do Cesvi, a partir de estatísticas de órgãos de segurança viária dos EUA, apontam as chances de sobrevivência em acidentes potencialmente fatais: somente airbags, 12%; somente cintos de segurança, 45%; proteção combinada cinto de segurança-airbags, 51%.

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