Inspeção de qualidade

No ano em que todos os veículos automotores deverão passar pela inspeção veicular ambiental, o mecânico precisa oferecer subsídios para o veículo do seu cliente não ser reprovado nos procedimentos

Carolina Vilanova

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A inspeção ambiental veicular começou em 2010 com força total, pelo menos na cidade de São Paulo. Agora todos os veículos automotores, carros, caminhões, ônibus e motos, de todos os anos de fabricação, devem passar pelos procedimentos de análise de emissões para garantir o licenciamento do ano vigente. E você sabe o que isso significa para o reparador? Oportunidade de ganhar mais serviços, principalmente, nos itens que envolvem motor e sistema de exaustão.

Mas como assegurar ao seu cliente que o veículo dele vai passar na inspeção? A resposta é simples: oferecendo serviços de qualidade. O que não é tão simples, pois necessita de visão empresarial, é colocar em prática um padrão de qualidade nas oficinas. Para ajudar nessa tarefa, elaboramos mais uma matéria em parceria com o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), que vai mostrar alguns caminhos para preparar seu estabelecimento para diagnosticar e reparar os veículos que precisam passar na inspeção.

“Inspeção veicular ambiental e qualidade são dois fatores que já estão ligados por natureza. Afinal, a inspeção serve para verificar as condições do carro, ou seja, para garantir a sua qualidade na hora de trafegar, sem oferecer riscos para a segurança e a saúde da população e do próprio motorista. E isso vale para qualquer tipo de inspeção”, comenta José Palacio, coordenador de Serviços Automotivos do IQA.

Ele afirma que constatar com confiança o bom estado do veículo depende da capacitação da oficina escolhida. “Se a oficina não possui um padrão de qualidade, a chance do carro ser reprovado é grande e o seu cliente terá muitos problemas em função disso, inclusive, em relação a documentação”.

Sempre que um veículo é reprovado na inspeção ambiental feita pela Controlar, a própria empresa direciona esses clientes para oficinas que fazem parte de um programa de qualidade. “Para veículo diesel, é recomendado que o motorista se dirija a uma das oficinas do programa PMMVD (Programa para Melhoria da Manutenção de Veículos Diesel) da Cetesb e quando se fala em ciclo otto, o cliente é direcionado às oficinas do programa PPPIV (Programa Pré e Pós Inspeção Veicular), mantido pelo Sindirepa-SP, com apoio da prefeitura do município de São Paulo”, explica Palacio.

Isso acontece porque esses estabelecimentos já estão preparados com estrutura e profissionais treinados de acordo com um padrão de qualidade reconhecido para diagnóstico e reparo, de acordo com os requisitos verificados na inspeção. E você, mesmo sem fazer parte dessa lista, pode se preparar com equipamentos, ferramentas e treinamentos que facilitarão a oferta do serviço ao seu cliente, com qualidade e confiança.

Um detalhe importante, segundo Palacio, é que com a inclusão de modelos de vários anos de fabricação na inspeção desse ano, a preocupação com o índice de reprovação é grande, afinal existem veículos muito antigos rodando sem condições e que se submeterão aos testes de emissões para ter o licenciamento em ordem. “Vale lembrar que o carro sem documentação é apreendido e terá que passar pela inspeção em algum momento, ou ficará alienado nos pátios da prefeitura até que o proprietário se responsabilize pelas dívidas, sob pena de prisão, inclusive”, alerta.

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O programa está estruturado em necessidades básicas de uma oficina, como a aquisição de equipamentos e ferramentas específicas. Itens que você pode ter aí na sua oficina para atender aos veículos que serão submetidos à inspeção ou para os que forem reprovados e precisem voltar. “E isso será uma exigência do próprio cliente”, reforça.

“Não é a inspeção em si, mas o impacto desse procedimento numa eventual reprovação que faz o cliente buscar uma empresa de qualidade comprovada para reparar seu carro, assegurando que o veículo continuará apto para rodar, principalmente, se for utilizado profissionalmente, evitando prejuízos consideráveis”, diz.

Hoje já existe um conceito de mudança nas oficinas para conseguir adequação, isso quer dizer que o empresário já se preocupa em manter uma empresa em ordem, limpa, com visual agradável e uma estrutura organizada e propícia para efetuar reparos. “Essas empresas que buscam aprimoramento com padrão de qualidade têm uma bússola apontando qual o caminho para melhorar, e o aprimoramento natural disso é a certificação”, afirma.

2010: divisor de águas

Para Palacio, o ano de 2010 será um divisor no segmento de reparação em termos de qualidade, justamente por conta da inspeção, inicialmente a ambiental e depois a ITV (Inspeção Técnica Veicular), que já está sendo estudada para entrar em vigor, e compreenderá aspectos de segurança de um veículo. E tudo isso incrementará o mercado de reparação, aumentando o fluxo de carros nas oficinas.

“Quando acontecer a ITV, a reparação vai envolver o reparo de freio, pneus, iluminação, direção e suspensão. Isso, somado aos componentes de motor e exaustão que já fazem parte da inspeção ambiental atual”, afirma.

Além disso, até hoje a inspeção era obrigatória apenas em cidades com mais de 3 milhões de veículos na frota, mas isso mudou. “A nova resolução do Conama 418/2009 cancelou todas as outras resoluções e deu plenos poderes para o governo instituir a inspeção em qualquer cidade, independentemente do número da frota. O que vai contar é a qualidade do ar”, observa.

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Esses fatores trarão mercado para as oficinas e, para atender a esses clientes com qualidade, os mecânicos têm que estar preparados no padrão que o cliente está exigindo, já que ele não quer pagar o mesmo serviço duas vezes. Ou seja, a inspeção vai trazer uma série de exigências do próprio consumidor, forçando a oficina a ser mais do que apenas de confiança, sendo obrigada a oferecer qualidade.

Inicialmente, acontecerão uma série de reprovações e reclamações. Se for constatado visualmente que existem problemas, o veículo nem passa para os procedimentos de medição, sendo diretamente reprovado. “E se o carro não passou na inspeção, é porque já não está fazendo a manutenção preventiva corretamente, então, faltou algo. Se ele não tem uma oficina de confiança, buscará empresas qualificadas”, analisa.

Por conta de tudo isso, a oficina não tem alternativa, a não ser adequar-se, caso queira se manter competitiva no mercado. Aí é que começa o progresso, a evolução da qualidade no padrão de serviços. “Se a oficina não está preparada, o cliente faz a inspeção e não passa, refaz o serviço e é reprovado de novo, até uma hora em que o cliente cobrará o serviço e a taxa dessa oficina”, alerta Palacio.

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O cliente se conscientizará que terá que buscar uma oficina de confiança no processo, e não apenas uma oficina teoricamente de confiança, porém não capacitada para a modalidade. “O que pode ajudar nisso é mostrar para o cliente que a empresa é certificada, pois isso significa o cumprimento de exigências e a existência de sistema de melhoria contínua, aspectos essenciais de oficinas diferenciadas”, finaliza.

• Inspeção Veicular ambiental gera reparos no motor e outros componentes como catalisador, escapamento, velas, juntas e vazamentos

• Inspeção Técnica Veicular proporciona reparação em sistema de freio, pneus, iluminação, direção e suspensão.

É necessário ter:

• Oficina legalizada e capacitada
• Profissionais treinados
• Elevador automotivo
• Ferramentas convencionais
• Ferramentas especiais
• Scanner de diagnoses
• Analisador de gases
• Peças de reposição
• Tabela com valores de medição de todos os veículos e marcas

Dicas do IQA

• Hoje, na amplitude do mercado, não dá pra permanecer sozinho, portanto procurar um sindicato e/ou associação para fortalecer o seu padrão de atendimento é essencial. Senão, o custo é grande. Além disso, as associações de classe têm mais acesso para conseguir informações técnicas.

• Buscar informações técnicas junto aos fabricantes da peça ou do equipamento. Ele o ajudará porque o interesse também é dele.

• Capacitar o pessoal em novas tecnologias e quanto ao manuseio de equipamentos e de tecnologias de alta qualidade hoje. A qualificação do profissional é primordial.

• Os equipamentos adequados e ferramentas devem ser homologados e aferidos.

• É importante lembrar que hoje os fabricantes oferecem financiamento para facilitar aquisição de equipamentos e ferramentas.