Câmbio – Troca da Embreagem no Nissan March 1.6 2013/2014

 

Confira o passo a passo de desmontagem, análise e instalação do conjunto de embreagem em um Nissan March SV 1.6 2013/2014

Texto: Rafael Poci Déa
Foto: Lucas Porto e Leonardo Barboza

Com apenas 28.000 km, a embreagem deste Nissan March SV 1.6 16V 2013/2014 começou a apresentar problemas. Entre as principais reclamações do proprietário, estava o pedal de acionamento da embreagem pesado e trepidando ao arrancar com o veículo. Conforme o esperado, a baixa quilometragem revelou que tanto o disco quanto o platô eram originais de fábrica. Para saber como identificar
e substituir o conjunto de embreagem, conduzimos o compacto até a unidade da Schaeffler Brasil, em Sorocaba/SP, fabricante das embreagens LuK. O procedimento foi explicado e realizado pelos profissionais Wilson de Vasto, técnico mecânico do setor de assistência técnica, e por Juliano Oliveira, da área de engenharia de testes.

 

Ao contrário do March comercializado atualmente, cuja produção ocorre na fábrica de Resende/RJ, a geração do compacto utilizada nesta reportagem era produzida em Aguascalientes, no México. O
procedimento de troca é trabalhoso, principalmente pelo espaço reduzido de trabalho. “O acesso aos componentes não é dos mais fáceis”, ressalta Juliano.

 

1. Antes de começar o procedimento de troca dos componentes da embreagem, realize um teste preliminar com o Dinamômetro. Esse aparelho mede qual o esforço sobre o pedal de acionamento da embreagem. Para efetuar o teste, posicione a haste do sensor do Dinamômetro no centro da pedaleira e acione o pedal até o final de seu curso. O resultado obtido no teste foi de 11,1 kgf. “Um conjunto de embreagem novo apresenta entre 8 e 10 kgf” dependendo do projeto, ressalta Wilson de Vasto.

 

 

2. Comece soltando e retirando a bateria. Com uma chave estrela de 10 mm solte primeiramente o polo negativo da bateria. Após, com a mesma ferramenta faça a retirada do polo positivo. Depois dos cabos soltos, pegue uma chave L13” para realizar a soltura do suporte da bateria.

 

 

3. Retire a bateria do veículo.

 

 

4. Com uma chave de fenda pequena solte o cabo positivo da bateria, que vai ligado ao suporte da bateria.

 

 

5. Utilize uma chave estrela de 10 mm para remover o suporte logo abaixo da caixa de fusíveis. São dois parafusos para serem retirados.

 

 

6. Pegue uma chave estrela de 10 mm e faça a soltura do suporte do chicote do sistema elétrico. Com a mesma ferramenta retire os dois parafusos que prendem a caixa de fusíveis.

 

 

7. Utilize uma chave L de 13 mm para remover o suporte da base da bateria, cuja a sua fixação é feita por dois parafusos M8 e duas porcas do tipo M8.

 

 

8. Com uma chave estrela de 10 mm retire os dois parafusos que fixam a caixa de fusíveis.

 

9. Com o auxílio de um alicate retire a fixação do chicote posicionado na base da bateria.

 

 

10. Faça a retirada das mangueiras do filtro de ar e de suas abraçadeiras.

 

 

11. Remova os dois parafusos de fixação do filtro de ar com uma chave L de 10 mm.

 

 

12. Faça a soltura da fixação da caixa do filtro de ar. DICA: Não empregue uma força excessiva, pois os coxins de fixação são feitos de borracha e podem se romper. Também evite utilizar uma chave de fenda a fim de evitar o rompimento da peça.

 

 

13. Com uma chave estrela de 13 mm remova o suporte do chicote ligado ao câmbio.

 

 

14. Utilize um alicate de bico para soltar as pontas do trambulador. A fixação feita sob pressão com o uso de uma trava presente em cada cabo. Para fazer a soltura basta empurrar a trava e puxar. Use um lubrificante de alto desempenho para ajudar no serviço. Após soltar o primeiro, realize a soltura do segundo cabo. Ambos apresentam o mesmo grau de dificuldade.

 

 

15. Com uma chave de 16 mm, soquete de extensão e cabo de força solte o parafuso superior do motor de arranque. Com o mesmo conjunto de ferramentas, faça a remoção dos dois parafusos superiores da caixa de câmbio.

 

 

16. Remova a mangueira de acionamento da embreagem. Para realizar esse procedimento, acione a pequena trava e apenas puxe a tubulação. DICA: Ao final desta etapa, coloque um tampão para evitar o pinga-pinga de fluído.

 

 

17. Dotado de soquete de extensão de 16 mm e articulação afrouxe o parafuso do coxim do câmbio. Desta forma, impede-se que a transmissão caia no chão. Com o mesmo conjunto de ferramenta faça também a remoção dos parafusos de fixação superiores da caixa de câmbio e afrouxe o parafuso superior do motor de arranque.

 

 

18. Posicione o veículo no elevador e o deixe a meia altura. Efetue a retirada das rodas dianteiras. Elas são de 15” e presas com quatro parafusos do tipo prisioneiro, que devem ser removidos com soquete de impacto de 21 mm.

 

 

19. Coloque a ferramenta Espátula para abaixar a bandeja da suspensão para facilitar o serviço. Empregue uma chave combinada de 14 mm e faça a retirada do parafuso do terminal de direção. Instale o extrator do terminal da barra de direção. Por fim, remova o pivô da suspensão com uma chave catraca com soquete longo de 14 mm. Repita esse procedimento do outro lado do veículo.

 

 

20. Erga mais o carro no elevador para iniciar a retirada do quadro de suspensão.

 

21. Faça a retirada dos parafusos de 21 mm das bandejas de suspensão. Além disso, retire os quatro parafusos de 18 mm do quadro de suspensão. Essa mesma medida de 18 mm também é encontrada nos dois parafusos da caixa de direção. Para facilitar o serviço, empregue uma ferramenta pneumática dotada de extensão longa de 18 mm.

 

 

22. Desça o quadro de suspensão com o auxílio de um macaco hidráulico.

 

 

23. Após retirar o quadro de suspensão, faça a amarração da caixa de direção para não forçá-la.

 

 

24. Esgote o óleo do câmbio. O parafuso do bujão do cárter tem a cabeça com um formato quadrado e pede uma chave específica. Também utilize um vasilhame ou tanque de plástico para coletor o lubrificante e, posteriormente fazer o descarte correto.

 

 

25. Com a ajuda da ferramenta Espátula solte os dois semieixos.

 

 

26. Remova a proteção lateral de plástico. Ela é presa por dois parafusos Torx de 15mm, duas presilhas na lateral e apenas uma parte frontal da peça.

 

 

27. Desconecte com a mão o interruptor da ré e remova o cabo terra com uma chave de 14 mm.

 

 

28. Retire os seis parafusos inferiores da caixa de transmissão com uma chave de 16 mm. Aliás, um deles está escondido embaixo do sistema de escapamento. DICA: deixe um parafuso rosqueado para evitar a queda da transmissão na hora que soltar o coxim superior. Repare que existe uma flange projetada para impedir a transferência de calor para a coifa do semieixo. Essa peça também usa parafuso de 16 mm na fixação, porém, não será preciso removê-la do local.

 

 

29. DICA: no caso do Nissan March, os para-lamas demonstram uma certa fragilidade e podem amassar ao empregar uma dose extra de força. Portanto, não instale o suporte superior. Para segurar o motor foi utilizado o macaco hidráulico.

 

 

30. Utilize uma escada para soltar o último parafuso do coxim superior do câmbio. A remoção deve ser realizada com uma pistola pneumática e uma chave de 16 mm. DICA: Não esqueça de soltar a presilha do cabo do interruptor da ré.

 

 

31. Solicite uma ajuda extra para baixar a caixa de câmbio. Na sequência apoie-a em um carrinho de serviço.

 

 

32. O profissional Juliano alerta, que se fosse reutilizar o conjunto de embreagem seria necessário soltar os parafusos em forma de cruz para não ocorrer a deformação do platô. A embreagem poderia ser reutilizada no caso de uma retifica de motor, só para citar. O March desta reportagem recebeu um conjunto novo (disco e platô), portanto, a soltura dos parafusos foi realizada de maneira aleatória. Será preciso remover seis parafusos com uma chave e soquete de 12 mm.

 

 

33. Depois de uma análise técnica não foi constatada nenhuma avaria no conjunto de embreagem e no volante do motor. Mesmo estando em bom estado, foi verificado um certo desgaste nos revestimentos do disco (espessura) e também o assentamento das molas segmentos, as quais são responsáveis pelo conforto no momento do acoplamento entre o motor e o câmbio, sendo assim o veículo apresentava um acoplamento mais abrupto. O volante do motor não precisou de retífica.

 

 

34. Após a retirada da embreagem devemos tomar alguns cuidados. Entre eles, verificar se o volante do motor não possui nenhuma imperfeição, ranhura ou fissura. Outra precaução é verificar se os guias de centralização entre cambio e motor não estão quebrados ou faltante. A falta de centralização entre motor e câmbio, gera dificuldade de engate e quebra do amortecedor torcional do disco.

 

35. Teste de bancada: Para verificar se o platô não sofreu nenhuma queda antes de ser montado no veículo, o que danificaria de imediato uma ou duas das três molas tangenciais, as quais são responsáveis pelo recuo da placa de pressão. Uma maneira fácil de aferição, poderá ser em uma furadeira de bancada ou em uma prensa hidráulica. Acione o diafragma até que o mesmo fique plano, simulando o ponto de montagem. Após estar plano, acione por mais 10 mm (1 cm) e verifique se a placa de pressão foi puxada para cima acompanhando a articulação do diafragma em toda a sua circunferência. Quando ocorre um impacto com o solo, uma ou duas das três molas tangenciais se deformam impedindo o retorno da placa de pressão, causando sua total inoperância, ou seja, impossibilitando o engate das marchas. No fundo de todas as embalagens (RepSet) existe a instrução para que o mecânico faça a verificação antes da montagem.

 

 

36. Efetue a limpeza da caixa seca com pincel e algum solvente, derivado de petróleo, querosene ou óleo diesel. No procedimento foi utilizado álcool misturado com detergente. É importante realizar a limpeza do local para constatar se existe alguma trinca ou vazamento e também eliminar qualquer vestígio de óleo ou graxa. Limpe bem a carcaça e o eixo piloto. Só tome cuidado para não molhar a entrada do semieixo a fim de evitar a contaminação dessa área.

 

 

37. DICA: Antes da montagem do atuador hidráulico siga um procedimento simples que ajuda na hora da sangria. Acione e segure o atuador. Após utilize uma seringa para preencher o cilindro e volte gradativamente o atuador. Faça esse procedimento por duas e três vezes ou até perceber que não existem mais bolhas de ar no sistema. O fluído utilizado no March é DOT4.

 

 

38. Posicione o atuador no eixo piloto, coloque os dois parafusos M10 e aplique o torquímetro com aperto de 2,5 Nm.

 

 

39. Passe uma quantidade pequena de graxa grafitada no estriado do disco de embreagem para lubrificar as estrias e, consequentemente o eixo piloto e com movimentos de vai e vem. O excesso deve ser retirado com um pano. Já a limpeza do platô deve ser feita com álcool.

 

 

40. Com um pincel limpe o volante do motor e aplique um pouco de álcool na área de contato. Além disso, passe uma lixa de aço de gramatura 100. Esse passo a passo facilita no processo de assentamento da embreagem.

 

 

41. Utilize uma ferramenta centralizadora para centralizar o disco. Realize o aperto em cruz dos seis parafusos sextavados de 12 mm (torque de 3 Nm).

 

 

42. Recoloque a caixa de câmbio. Aproveite e parafuse o coxim do motor com uma chave combinada de 16 mm.

 

 

43. Com a transmissão no lugar efetue o processo de sangria do sistema. No caso do Nissan March, foi adotado o processo convencional. O qual é preciso apertar repetidas vezes o pedal de acionamento da embreagem, segurá-lo e abrir o sangrador. Esse processo deve ser repetido até o pedal ficar na altura correta. Como o cilindro do atuador hidráulico já estava cheio, rapidamente o pedal ficará na sua posição ideal de trabalho.

 

 

44. Encaixe os semieixos.

 

45. Coloque o novo fluído de transmissão. O nível será atingido quando ocorrer o vazamento. Recoloque a cobertura plástica do para-lamas e após reinstale o quadro de suspensão com a ajuda do macaco hidráulico.

 

 

46. Remonte o trambulador, o suporte da bateria, conecte os cabos da bateria, monte a caixa do filtro de ar e prenda a abraçadeira da mangueira do filtro de ar com uma chave de fenda ou canhão de 8 mm. É interessante levar o carro para o alinhamento por conta da retirada do agregado de suspensão.

 

47. Utilize o Dinamômetro para realizar novamente o teste da força de acionamento do pedal de embreagem. Após a instalação do conjunto novo o resultado foi de 8,6 kgfm contra 11,1 kgfm do conjunto antigo devido ao desgaste da espessura do disco. Aliás, a medição do disco antigoaferido foi de 6,80 mm, enquanto o novo 7,60 mm. Essa diferença de 0,80mm muda a força aplicada no pedal de embreagem.