Edição 193 – Confira as matérias

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Mais uma vez, aposta nos pesados

Setor de reposição promove a segunda edição da Automec Pesados, uma feira exclusiva de peças e serviços voltados para veículos pesados e comerciais, onde novamente será oferecido ao público o ciclo de palestras Atualizar O Mecânico

Carolina Vilanova

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A primeira edição da Automec Pesados, realizada em outubro de 2008, dividiu o setor da reposição: muitos investiram e acreditaram que a feira seria um sucesso na prospecção de negócios; e outros, muitos de grande porte, resolveram ver para crer, esperando a crise, que começava a se formar, passar. Mas depois de cinco dias de feira e muitos olhares curiosos, o resultado impressionou: 20 mil pessoas circularam no pavilhão, projetado com 30 mil m2 de novidades em peças e serviços de mais de 400 expositores.

 

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Assim, depois de consolidada, a Automec Pesados & Comerciais volta a ser promovida em São Paulo, dessa vez com espaço mais amplo e com um maior número de empresas participantes. O evento está marcado para começar em 27 de abril e se estende até 1° maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, com organização da Reed Exhibitions Alcantara Machado.

 

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Também pela segunda vez, para incrementar a feira e atrair público qualificado, a Revista O Mecânico leva para a Automec Pesados toda estrutura do ciclo de palestras Atualizar O Mecânico: uma série de apresentações técnicas gratuitas das mais renomadas empresas do setor de reposição, transmitindo conteúdo técnico exclusivamente voltado para mecânicos que querem se atualizar e enriquecer seus conhecimentos.

 

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Novos produtos, equipamentos, serviços e tecnologias, enfim, tudo o que está incluído no universo dos veículos pesados e comerciais estarão em exibição na feira. O que já existe no mercado e as tendências para o futuro são os grandes atrativos para o público, que conta também com diversos painéis e debates durante os dias do evento.

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Alguns grandes expositores que marcam presença no salão: Airtech, Alfatest, ArvinMeritor, Autolinea, Baltec Freios, Bepo, BorgWarner, BR Petrobras, Corteco, Delco Remy, DHB, Duroline, Eaton, Elring Klinger, Fras-le, Frum, Garrett, Goodyear Produtos de Engenharia, HDS, Henkel, Irmã Cestari, Jost, Leone Equipamentos, Master, Mastra, Mercedes-Benz, Metagal, MWM-International, Nino Faróis, Rodafuso, Sanbin, Saint Gobain, Scania, Schadek, Stahl, Suspensys, Tecnomotor, Thermoid, entre muitos outros.

Serviços:

2ª Feira Internacional Especializada em Peças, Equipamentos e Serviços para Veículos Pesados & Comerciais

Data: 27 de abril a 1° maio de 2010

Horário: terça a sexta-feira das 10h às 19h e sábado das 9h às 17h

Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi

Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – CEP 02012-021 São Paulo – SP

Mais informações:
www.automecpesados.com.br




Para não deixar ferver

A troca do líquido de arrefecimento do veículo é um procedimento fundamental para manter a temperatura certa do motor em todas as condições de uso e evitar a corrosão do sistema, o ressecamento prematuro de mangueiras e vedações, e outros sérios danos ao conjunto

Carolina Vilanova

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Um sistema de arrefecimento funcionando corretamente, na temperatura ideal, só traz benefícios ao motor, que ganha em durabilidade, economia de combustível e desempenho e, consequentente, tem menor nível de emissões. Por isso, a troca do fluido de arrefecimento, uma mistura de água e aditivos específicos, é de extrema importância no check list da manutenção preventiva de um veículo.

A função do aditivo de arrefecimento é transformar a água num fluido adequado ao bom funcionamento e proteção do sistema de arrefecimento do motor de combustão interna. “O líquido faz a troca de calor, ganhando calor quando passa pelo motor e perdendo ao passar no radiador”, explica Fernando Landulfo, instrutor do SENAI-Vila Leopoldina.

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“Existem vários aditivos para arrefecimento no mercado brasileiro, mas o mecânico deve usar aquele recomendado pelo fabricante ou outro de especificações similares de boas marcas. Cuidado com os líquidos de má procedência, procure sempre certificados e homologados”, alerta.

A composição e as propriedades dos fluidos variam de acordo com as especificações de cada fabricante, mas, geralmente, são produtos à base de polímeros, etilenoglicol e agentes anti-corrosivos. A formulação pode mudar bastante para aplicação em motores de alumínio, pois determinados agentes que protegem o aço e o ferro fundido atacam o alumínio.

O engenheiro de Aplicação da Bardahl, Arley Barbosa da Silva, explica ainda que existem duas categorias de aditivos, os coolants e os anticorrosivos. Os coolants são os aditivos que possuem em sua composição monoetilenoglicol e um pacote anticorrosivo, e são divididos em duas categorias: os orgânicos (vida estendida) e os inorgânicos. As indicações de um ou outro variam de acordo com as recomendações das montadoras. Os orgânicos oferecem um intervalo maior entre as trocas, o que gera menos descarte de resíduo no meio ambiente.

“Os coolants devem atender a algumas normas, como a NBR 13705 (aditivos coolants inorgânicos concentrados) e a NBR 15297 (aditivos coolants orgânicos concentrados). Já os anticorrosivos são fluidos cuja principal função é prevenir a corrosão, geralmente usados em veículos pesados, de fabricação mais antiga”, comenta Arley.

De acordo com Graziano Oliveira, consultor Técnico da Radiex Produtos Automotivos, a indústria dos aditivos, também chamados de protetores do sistema de arrefecimento, evoluiu bastante na última década e os produtos à base de polímeros – mais baratos, mais eficientes na troca de calor e menos prejudiciais ao ambiente – estão substituindo os compostos desenvolvidos a partir de etilenoglicol, que apesar de terem o seu ponto de congelamento reduzido, são feitos a partir do petróleo, matéria-prima que, além de mais poluente, está mais suscetível às variações de preço do mercado.

Graziano explica ainda que o aditivo de radiador contém uma combinação de inibidores de corrosão, que oferecem proteção às ligas de alumínio, ferro fundido, aço e metais não ferrosos. Prolonga a vida útil dos componentes do sistema como mangueiras, bomba d’água etc. Evita a corrosão, a formação de espuma, eleva o ponto de ebulição da água e baixa o ponto de congelamento, no caso dos produtos com base glicol. “São produtos que devem atender as rígidas exigências da NBR-13.705, SAE-J1034 e ASTM D 3306”, reforça.

Troca do fluido de arrefecimento

O técnico da Bardahl recomenda que a troca seja feita sempre no período indicado pelo fabricante, conforme os manuais, que indicam a primeira troca em torno dos 30 mil km ou 1 ano de uso, podendo chegar a até 120 mil km ou 5 anos, de acordo com o tipo de aditivo.

“Recomendamos verificar, na hora da compra, se o fluido é concentrado (deve ser misturado com água antes de ser colocado no veículo) ou diluído (pronto para uso). A concentração do líquido (tanto de água, quanto de coolant) deve seguir a recomendação do fabricante. Existem produtos de limpeza que podem ser usados antes da troca e que vão despreender possíveis sujeiras e incrustrações em partes do sistema”, completa Arley.

“Se o prazo for ultrapassado o motor pode apresentar corrosão, impregnação, diminuição do ponto de ebulição do fluido e ressecamento prematuro de mangueiras e vedações”, acrescenta Landulfo.

Procedimento

Substituir o líquido de arrefecimento do motor é um serviço simples de efetuar, porém, exige muito cuidado e atenção do mecânico, primeiro, em relação à segurança, e por conta da escolha correta do produto a ser colocado no carro. Por isso, a recomendação é que apenas mecânicos profissionais em oficinas devidamente equipadas devem fazer o serviço.

O instrutor Marcos Antonio da Cruz Luiz, do SENAI-Vila Leopoldina, realizou o procedimento em um veículo Fiat Palio ano 2003, equipado com motor 1.0 Flex. Ele alerta que são necessários cuidados especiais e equipamentos de proteção, como luvas de algodão ou química, protetor facial, roupa profissional em algodão ou brim.

“Em relação às ferramentas para executar o serviço, o mecânico precisa das convencionais, além de equipamentos de teste de estanqueidade (bomba e adaptadores) e termômetro infravermelho, para verificar, à distância e com precisão, as temperaturas dos diversos setores do sistema de arrefecimento”, complementa.

1) A troca deve ser feita com motor frio e pode ser de maneira manual ou mecanizada, com a ajuda de um equipamento específico.

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2) Manualmente, o mecânico deve abrir o sistema, de preferência, no ponto mais baixo e esgotar todo o líquido. Não se esqueça que esse líquido deve ser descartado corretamente, pois contamina o meio ambiente.

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Obs.: Existe um líquido para limpar o sistema, dependendo do caso, que só deve ser utilizado com aval do fabricante do veículo.

3) Abra o respiro do sistema, ou seja, faça a sangria para não ter bolhas de ar dentro das mangueiras e do radiador.

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4) Faça a mistura na proporção indicada pelo fabricante, utilizando um recipiente a parte.

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5) Em seguida, coloque o produto novo de volta no sistema (5A). Coloque até a medida indicada, mas veja também se o líquido está saindo pelo respiro, o que significa que não tem mais bolhas no sistema. (5B)

 

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    5A
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    5B

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Obs.: Quando colocar o líquido, posicione o comando de ar do carro na posição quente (5C).

6) O próximo passo é checar a estanqueidade para o bom funcionamento do sistema. (6A)

Não esqueça de checar também, com os adaptadores adequados, se a tampa está pressurizada. (6B)

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    6A
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    6B

 

De nada adianta um sistema bem aditivado, mas sem pressurização. O fluido irá ferver do mesmo jeito. O mesmo se aplica ao bom funcionamento do eletroventilador do radiador e a limpeza interna e externa do mesmo. “Deve-se também tomar cuidado com radiadores recuperados, onde uma parte dos tubos é isolada a fim de sanar vazamentos. Sua capacidade de troca de calor cai muito”, explica Landulfo.

Água da torneira, não

De acordo com Graziano, o técnico não deve usar água de torneira para adicionar ao aditivo, pois contém cloro e sais minerais que podem provocar danos ao sistema de arrefecimento, como incrustações e corrosões nas partes. Entre a gama de produtos oferecidos, existe a água que passa por um minucioso processo de purificação, no qual é retirada de poços artesianos e vai diretamente para um equipamento de desmineralização por osmose reversa, de onde sairá pronta pra uso.

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Outra boa opção para não cair em armadilhas na hora de trocar o líquido do sistema é usar os produtos dois em um (encontrados em lojas de autopeças), ou seja, aqueles em que a mistura do aditivo com a água já vem pronta, eliminando assim o risco de realizar a combinação em proporções erradas. “Atualmente, 80% a 90% dos carros que trafegam no Brasil estão com o seu sistema de arrefecimento precisando fazer algum tipo de manutenção”, comenta Graziano.

Propriedades do aditivo:

• Aumento do ponto de ebulição e diminuição do ponto de congelamento;
• Anti corrosão;
• Mudanças na condutibilida de elétrica;
• Proteção contra o ressecamento de vedações e mangueiras fabricadas com materiais sintéticos.

Componentes do sistema:

• Bomba d’água
• Radiador
• Válvula termostática
• Ventoinha
• Mangueiras
• Líquido de arrefecimento

O mecânico pergunta:

1 – Devemos completar o reservatório com o líquido correto ou apenas trocá-lo?

Mayke Pinheiro, Serviços Automotivos Primoirmão

Via de regra, deve-se completar o reservatório com solução preparada (aditivo água), para se evitar uma super dosagem, ou uma diluição excessiva. A remontagem deve ser feita quando o nível do fluido diminuir (verificar sempre a frio). Nos sistemas selados, quando a estanqueidade do sistema está em ordem, a remontagem é muito rara. Nos sistemas convencionais a remontagem é mais freqüente. No entanto, assim como o selado, o sistema deve estar estanque.

2 – O que fazer quando o motor esquenta?

Jefferson de Queirós, 4º Batalhão de Infantaria Leve

1º) Não forçar o funcionamento nessas condições (risco de queima de junta de cabeçote e / ou engripamento de pistão);

2º) Deixar o motor esfriar bem antes de manusear o sistema ou adicionar fluido frio para uma movimentação emergencial (risco de queimaduras e trinca do cabeçote do motor)

3º) Verificar a estanqueidade do sistema (inclusive tampa do reservatório de expansão e/ ou radiador);

4º) Esvaziar o sistema tomando cuidado de descartar corretamente o fluido usado;

5º) Pesquisar e sanar todos os defeitos mecânicos e elétricos, que houver no motor, que possam provocar o sintoma de super aquecimento. Substituir preventivamente as peças que apresentem desgaste;

6º) Limpar bem o sistema (inclusive a parte externa do radiador);

7º) Reabastecer o sistema com fluido e testar a estanqueidade;

8º) testar o funcionamento do sistema com o veículo ligado.




Inspeção de qualidade

No ano em que todos os veículos automotores deverão passar pela inspeção veicular ambiental, o mecânico precisa oferecer subsídios para o veículo do seu cliente não ser reprovado nos procedimentos

Carolina Vilanova

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A inspeção ambiental veicular começou em 2010 com força total, pelo menos na cidade de São Paulo. Agora todos os veículos automotores, carros, caminhões, ônibus e motos, de todos os anos de fabricação, devem passar pelos procedimentos de análise de emissões para garantir o licenciamento do ano vigente. E você sabe o que isso significa para o reparador? Oportunidade de ganhar mais serviços, principalmente, nos itens que envolvem motor e sistema de exaustão.

Mas como assegurar ao seu cliente que o veículo dele vai passar na inspeção? A resposta é simples: oferecendo serviços de qualidade. O que não é tão simples, pois necessita de visão empresarial, é colocar em prática um padrão de qualidade nas oficinas. Para ajudar nessa tarefa, elaboramos mais uma matéria em parceria com o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), que vai mostrar alguns caminhos para preparar seu estabelecimento para diagnosticar e reparar os veículos que precisam passar na inspeção.

“Inspeção veicular ambiental e qualidade são dois fatores que já estão ligados por natureza. Afinal, a inspeção serve para verificar as condições do carro, ou seja, para garantir a sua qualidade na hora de trafegar, sem oferecer riscos para a segurança e a saúde da população e do próprio motorista. E isso vale para qualquer tipo de inspeção”, comenta José Palacio, coordenador de Serviços Automotivos do IQA.

Ele afirma que constatar com confiança o bom estado do veículo depende da capacitação da oficina escolhida. “Se a oficina não possui um padrão de qualidade, a chance do carro ser reprovado é grande e o seu cliente terá muitos problemas em função disso, inclusive, em relação a documentação”.

Sempre que um veículo é reprovado na inspeção ambiental feita pela Controlar, a própria empresa direciona esses clientes para oficinas que fazem parte de um programa de qualidade. “Para veículo diesel, é recomendado que o motorista se dirija a uma das oficinas do programa PMMVD (Programa para Melhoria da Manutenção de Veículos Diesel) da Cetesb e quando se fala em ciclo otto, o cliente é direcionado às oficinas do programa PPPIV (Programa Pré e Pós Inspeção Veicular), mantido pelo Sindirepa-SP, com apoio da prefeitura do município de São Paulo”, explica Palacio.

Isso acontece porque esses estabelecimentos já estão preparados com estrutura e profissionais treinados de acordo com um padrão de qualidade reconhecido para diagnóstico e reparo, de acordo com os requisitos verificados na inspeção. E você, mesmo sem fazer parte dessa lista, pode se preparar com equipamentos, ferramentas e treinamentos que facilitarão a oferta do serviço ao seu cliente, com qualidade e confiança.

Um detalhe importante, segundo Palacio, é que com a inclusão de modelos de vários anos de fabricação na inspeção desse ano, a preocupação com o índice de reprovação é grande, afinal existem veículos muito antigos rodando sem condições e que se submeterão aos testes de emissões para ter o licenciamento em ordem. “Vale lembrar que o carro sem documentação é apreendido e terá que passar pela inspeção em algum momento, ou ficará alienado nos pátios da prefeitura até que o proprietário se responsabilize pelas dívidas, sob pena de prisão, inclusive”, alerta.

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O programa está estruturado em necessidades básicas de uma oficina, como a aquisição de equipamentos e ferramentas específicas. Itens que você pode ter aí na sua oficina para atender aos veículos que serão submetidos à inspeção ou para os que forem reprovados e precisem voltar. “E isso será uma exigência do próprio cliente”, reforça.

“Não é a inspeção em si, mas o impacto desse procedimento numa eventual reprovação que faz o cliente buscar uma empresa de qualidade comprovada para reparar seu carro, assegurando que o veículo continuará apto para rodar, principalmente, se for utilizado profissionalmente, evitando prejuízos consideráveis”, diz.

Hoje já existe um conceito de mudança nas oficinas para conseguir adequação, isso quer dizer que o empresário já se preocupa em manter uma empresa em ordem, limpa, com visual agradável e uma estrutura organizada e propícia para efetuar reparos. “Essas empresas que buscam aprimoramento com padrão de qualidade têm uma bússola apontando qual o caminho para melhorar, e o aprimoramento natural disso é a certificação”, afirma.

2010: divisor de águas

Para Palacio, o ano de 2010 será um divisor no segmento de reparação em termos de qualidade, justamente por conta da inspeção, inicialmente a ambiental e depois a ITV (Inspeção Técnica Veicular), que já está sendo estudada para entrar em vigor, e compreenderá aspectos de segurança de um veículo. E tudo isso incrementará o mercado de reparação, aumentando o fluxo de carros nas oficinas.

“Quando acontecer a ITV, a reparação vai envolver o reparo de freio, pneus, iluminação, direção e suspensão. Isso, somado aos componentes de motor e exaustão que já fazem parte da inspeção ambiental atual”, afirma.

Além disso, até hoje a inspeção era obrigatória apenas em cidades com mais de 3 milhões de veículos na frota, mas isso mudou. “A nova resolução do Conama 418/2009 cancelou todas as outras resoluções e deu plenos poderes para o governo instituir a inspeção em qualquer cidade, independentemente do número da frota. O que vai contar é a qualidade do ar”, observa.

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Esses fatores trarão mercado para as oficinas e, para atender a esses clientes com qualidade, os mecânicos têm que estar preparados no padrão que o cliente está exigindo, já que ele não quer pagar o mesmo serviço duas vezes. Ou seja, a inspeção vai trazer uma série de exigências do próprio consumidor, forçando a oficina a ser mais do que apenas de confiança, sendo obrigada a oferecer qualidade.

Inicialmente, acontecerão uma série de reprovações e reclamações. Se for constatado visualmente que existem problemas, o veículo nem passa para os procedimentos de medição, sendo diretamente reprovado. “E se o carro não passou na inspeção, é porque já não está fazendo a manutenção preventiva corretamente, então, faltou algo. Se ele não tem uma oficina de confiança, buscará empresas qualificadas”, analisa.

Por conta de tudo isso, a oficina não tem alternativa, a não ser adequar-se, caso queira se manter competitiva no mercado. Aí é que começa o progresso, a evolução da qualidade no padrão de serviços. “Se a oficina não está preparada, o cliente faz a inspeção e não passa, refaz o serviço e é reprovado de novo, até uma hora em que o cliente cobrará o serviço e a taxa dessa oficina”, alerta Palacio.

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O cliente se conscientizará que terá que buscar uma oficina de confiança no processo, e não apenas uma oficina teoricamente de confiança, porém não capacitada para a modalidade. “O que pode ajudar nisso é mostrar para o cliente que a empresa é certificada, pois isso significa o cumprimento de exigências e a existência de sistema de melhoria contínua, aspectos essenciais de oficinas diferenciadas”, finaliza.

• Inspeção Veicular ambiental gera reparos no motor e outros componentes como catalisador, escapamento, velas, juntas e vazamentos

• Inspeção Técnica Veicular proporciona reparação em sistema de freio, pneus, iluminação, direção e suspensão.

É necessário ter:

• Oficina legalizada e capacitada
• Profissionais treinados
• Elevador automotivo
• Ferramentas convencionais
• Ferramentas especiais
• Scanner de diagnoses
• Analisador de gases
• Peças de reposição
• Tabela com valores de medição de todos os veículos e marcas

Dicas do IQA

• Hoje, na amplitude do mercado, não dá pra permanecer sozinho, portanto procurar um sindicato e/ou associação para fortalecer o seu padrão de atendimento é essencial. Senão, o custo é grande. Além disso, as associações de classe têm mais acesso para conseguir informações técnicas.

• Buscar informações técnicas junto aos fabricantes da peça ou do equipamento. Ele o ajudará porque o interesse também é dele.

• Capacitar o pessoal em novas tecnologias e quanto ao manuseio de equipamentos e de tecnologias de alta qualidade hoje. A qualificação do profissional é primordial.

• Os equipamentos adequados e ferramentas devem ser homologados e aferidos.

• É importante lembrar que hoje os fabricantes oferecem financiamento para facilitar aquisição de equipamentos e ferramentas.




Motores em alta

Michael Ketterer, diretor de Vendas e Marketing da MWM International,fala sobre a ascensão da empresa depois da união entre as duas gigantes do diesel e enfatiza a importância do mecânico na cadeia automotiva,para quem oferece treinamentos e palestras técnicas em conjunto com a rede, para incentivar uso de peças genuínas

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Revista O Mecânico: A MWM e a International, duas das maiores fabricantes de motores do mundo, uniram suas forças em 2005, quais eram os objetivos dessa fusão? Eles foram cumpridos?
Michael Ketterer: O principal objetivo dessa fusão foi a total integração e aproveitamento de sinergia de grandes empresas para o desenvolvimento de motores de “primeira classe” e altamente tecnológicos e competitivos para o mercado local e exterior, proporcionando um crescimento global. Nestes quase cinco anos de MWM International conquistamos novos contratos no Mercosul e no exterior. Entre os mais recentes e importantes está o acordo para montagem de motores diesel que equiparão os caminhões e ônibus da MAN Latin América e o fornecimento de propulsores para tratores e retroescavadeiras da marca Massey Fergunson. Em 2008, a empresa atingiu todos os recordes. Foram 141 mil motores/ano, uma produção que resultou um faturamento de US$ 1 bilhão. Ainda neste ano, firmamos o maior acordo já feito com a GM para o fornecimento de 420 mil unidades de uma nova geração de motores diesel de 2011 a 2018. Este constante crescimento proporcionou o reconhecimento de nossos principais clientes e a conquista de vários prêmios. No ano passado, mesmo com os efeitos da crise, a empresa planejou investir US$ 345 milhões nos próximos cinco anos em desenvolvimento tecnológico, capacitação profissional dos colaboradores, novos e modernos equipamentos para linha de produção, além de pesquisas em tecnologia para combustíveis alternativos.

O Mecânico: Como é a estrutura da empresa agora em termos de unidades fabris e produtos fabricados?
Ketterer: A MWM International possui três plantas, localizadas em Santo Amaro (SP), Canoas (RS) e Jesús Maria, em Córdoba, na Argentina. Hoje, atende mais de 30 países em todos os continentes. Conta com uma linha completa de motores da mais avançada tecnologia – de 2,5 a 9,3 litros e de 50 a 370 cavalos de potência – que cumprem as mais rígidas normas de emissões de poluentes.

O Mecânico: Qual a capacidade de produção das fábricas e a gama de veículos que são equipados com os motores da marca?
Ketterer: A planta de Santo Amaro (SP) possui capacidade de 130 mil motores/ano, em Canoas (RS) 100 mil motores/ano e em Jesus Maria, Córdoba (Argentina) a unidade é utilizada para produção de componentes. Hoje, a empresa equipa uma gama de veículos, entre eles estão: MAN Latin America com caminhões e ônibus, linha Delivery, Worker, Constellation e Volksbus; AGCO com tratores e retroescavadeiras; GM com a S10; Agrale com caminhões leves e médios, chassibus e vans; Ford com a Ranger e Troller; Volvo linha VM; Valtra com tratores; New Holland linha TL de tratores; JCB e Randon com retroescavadeira; Stemac para grupo geradores; e Servspray, Montana e Jacto em pulverizadores, entre outros.

O Mecânico: A crise do final de 2008, início de 2009 afetou muito mais a indústria de veículos pesados, isso acarretou redução na produção dos seus motores? E hoje, a produção já foi recuperada? A expectativa para 2010 é boa?
Ketterer: Sim, tivemos uma redução de 20% na produção de motores, porém a empresa não sofreu tanto comparada ao mercado que obteve uma redução de até 30%. Acreditamos desde o início na retomada do mercado no segundo semestre de 2009, assim nossa produção neste ano fechou em 112 mil motores, com expectativa de mais de 130 mil unidades até o final de 2010.

O Mecânico: A manutenção dos motores é muito importante para a durabilidade do conjunto, como é formada a rede autorizada da MWM International? Os mecânicos dessa rede recebem treinamentos de atualização? Como funciona?
Ketterer: A rede autorizada é formada por empresas parceiras que possuem o perfil de atendimento de serviços especializados em mecânica diesel. Estas empresas são definidas por nosso pessoal de serviços e pelos representantes regionais. Os perfis levantados são analisados pela fábrica e passam por uma auditoria de credenciamento, especialmente nos quesitos de treinamento técnico, ferramentas, instalações, aplicação de peças genuínas e qualidade no atendimento, entre outros. Estando tudo de acordo com os requisitos MWM International, a empresa é então considerada uma Autorizada.

O Mecânico: Qual a relação entre a MWM International e o mecânico diesel independente?
Ketterer: A empresa trata o mecânico diesel independente como seu cliente. Adquirindo peças genuínas MWM International, o mecânico tem suporte técnico telefônico, garantia, treinamentos, entre outros benefícios.

O Mecânico: Quais as preocupações da empresa com esse profissional, existem programas, campanhas e treinamentos voltados para ele?
Ketterer: A MWM International possui parceria com 30 escolas do SENAI em todo o Brasil e oferece diversos programas de treinamento organizados pelos distribuidores autorizados. Além disto, a empresa realiza palestras técnicas regionais focando este importante público.

O Mecânico: Existem programas que incentivam a aplicação de peças genuínas entre os mecânicos independentes?
Ketterer: Sim, promovemos treinamentos e palestras técnicas e ,comerciais em conjunto com a nossa Rede para incentivar uso de peças genuínas para mecânicos independentes e aplicadores. Enfatizamos os diferenciais e a importância do uso das mesmas com relação à durabilidade e padrões de qualidade de uma forma geral.

O Mecânico: Como funciona o sistema de assistência técnica e garantia das peças genuínas da marca?
Ketterer: O consumidor de peças genuínas MWM International tem à sua disposição assistência técnica e garantia através de toda a rede autorizada bem distribuída por todo o Brasil.

O Mecânico: Em sua opinião, o reparador influi na escolha entre uma peça original e uma de má qualidade?
Ketterer: Sim, o reparador é o formador de opinião mais importante na cadeia de distribuição. Ele desempenha um papel muito importante na correta manutenção do motor/ veículo que de certa forma irá influenciar o usuário final na decisão da motorização quando da compra de um veículo novo.

O Mecânico: A participação em feira de negócio especializadas em Aftermarket, como a Automec Pesados, é importante para a MWM International? Que tipo de ações são realizadas nesses eventos?
Ketterer: Sim, são muito importantes. Promovemos nossa marca e enfatizamos a importância da utilização de Peças Genuínas na manutenção de veículos com motorização MWM International de forma a garantir a durabilidade e integridade do motor. Além disto, estreitamos o relacionamento com o cliente e temos a oportunidade de ouvir sugestões e oportunidades de melhoria. Apresentamos palestras técnicas, disponibilizamos vídeos interativos e atendemos dúvidas e questões em geral.

O Mecânico: O empresário reparador que quiser fazer parte da rede de autorizadas, o que deve fazer?
Ketterer: Para candidatar-se a um Serviço Autorizado basta entrar em contato com o Departamento de Serviços da MWM International. Será enviado um formulário para ser preenchido e devolvido à empresa juntamente com fotos. Em seguida, se a empresa for aprovada nesta etapa, a MWM International envia um representante pra uma visita técnica e comercial. Para entrar em contato ou mais informações acesse o sitewww.mwm-international.com.br.




Desmontagem e dicas da caixa VW

Vamos apresentar nessa reportagem as características, dicas de manutenção, desmontagem e montagem da caixa de câmbio MQ200, que em suas várias aplicações, equipa a maioria da gama da Volkswagen no Brasil

Carolina Vilanova

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Uma caixa de transmissão leve, robusta e com engates precisos, assim é o conjunto que equipa os veículos da Volkswagen, Gol, Voyage, Saveiro, Fox e Polo, conhecida pela maioria dos mecânicos como MQ200. Montada na posição transversal, a caixa é compacta e leve devido a carcaça composta por uma mistura de alumínio e magnésio, com capacidade de suportar torques de até 200 Nm. Poucas mudanças diferenciam uma caixa da outra, dependendo do modelo, do peso da carroceria e dos motores 1,0 l 1.6 l e 1.8 l, variam internamente em relação de marchas. Mas em geral, todas têm a mesma manutenção e procedimentos de montagem e desmontagem.

A caixa é do tipo manual e foi batizada pela Volkswagen de 02T, dotada de cinco velocidades para frente e uma a ré. Foi desenvolvida com um design modular, justamente para ser intercambiável, e dois conjuntos de árvores “ocas”, o que privilegia a leveza. Tem comando feito por cabos e uma embreagem hidráulica. De acordo com o instrutor do módulo da Volkswagen do SENAI-Ipiranga, Melsi Maran, a caixa MQ200 tem fácil manutenção e pode ser retirada do veículo, para reparos, sem muito esforço.

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Ele explica que a caixa de acionamento manual, construída com duas árvores (primária e secundária) e um eixo adicional para a marcha a ré. As engrenagens das árvores primária e secundária possuem dentes helicoidais e as engrenagens da transmissão são montadas sobre rolamentos de agulhas que proporcionam suavidade nas marchas. “A 1ª e 2ª marchas são montadas na árvore secundária e contam com sistema de sincronização dupla, enquanto que a 3ª, 4ª e 5ª marchas são montadas na árvore primária”, completa.

Diagnósticos

O técnico que receber um carro com sintomas de problemas no câmbio deve ter muito cuidado para se certificar da necessidade de abrir a caixa, pois é um serviço demorado e caro, sendo que a avaria pode ser na embreagem. “Quando o problema é na embreagem, a transmissão vai apresentar dificuldade de engrenamento em todas as marchas, se a dificuldade for em uma só marcha, pode estar no dispositivo sincronizador , o chorinho da transmissão, (ruído agudo e constante) é característicos de folga de dentes, folga de rolamento e má aplicação de óleo. Ao escutar um ronco interno, varia em função da mudança de marcha e aplicação de torque, são problemas causados por desgaste interno dos rolamentos das árvores primária, secundária e do diferencial”, diz o instrutor.

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O óleo, de especificação G052.512.A2, é do tipo longa vida, ou seja, não há necessidade de se verificar o nível ou de trocar, a não ser que apresente vazamentos ou que a transmissão seja reparada e o líquido drenado.

Na hora do serviço, algumas ferramentas específicas são essenciais para cada tipo de transmissão: sacadores de rolamentos ou buchas, prensa para desmontar as engrenagens e as pistas de rolamentos, soprador térmico, morsa e a literatura técnica. Não se esqueça de usar óculos de proteção, sapatos com biqueira de aço e luvas, que podem ser as químicas.

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Melsi Maran explica que para selecionar a literatura adequada é preciso conhecer a transmissão na qual está fazendo o serviço, ou seja, saber sua identidade, afinal os veículos usam a mesma caixa com determinadas especificações para cada modelo. “O técnico deve saber qual o prefixo e a identidade da transmissão para encontrar aplicações das peças e procedimentos necessários. O prefixo da transmissão é composto por três letras identificando o motor, a carroceria, e as relações internas, seguido da data de fabricação, que de um ano para outro pode apresentar modificações”, complementa.

Desmontagem

Para iniciar a desmontagem use um cavalete para trabalhar a caixa com segurança. A recomendação é substituir todos os parafusos na montagem, que podem romper por conta do torque angular. Também coloque retentores e travas novas.

Com a caixa limpa e o óleo drenado através do bujão de escoamento, retire também os periféricos:

• bujão de escoamento do óleo

• parafusos da carcaça com a tampa da transmissão

• dois parafusos que fixam o suporte de articulação do garfo de engate de marchas

• tampa da haste seletora

• interruptor da ré

• duas flanges das árvores de transmissão as rodas

• dois suportes de articulação do garfo de engrenamento de marchas

• dispositivo de seleção e engate de marchas

1) Comece a desmontar a tampa da quinta marcha, removendo os parafusos. A junta de borracha precisa ser trocada sempre que houver intervenção, assim como retentores e travas.

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2) O conjunto da quinta marcha engloba garfo de engrenamento, luva de engate, engrenagem principal e secundária e cubo sincronizador. Para retirar o garfo, remova o pino que segura a tampa.

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3) Retire o garfo de engrenamento e em seguida os parafusos que prendem o suporte dos garfos de engrenamento de marchas. Use uma chave estriada.

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4) Agora, remova a tampa da haste seletora, soltando os dois parafusos e mais um parafuso que prende o eixo da marcha.

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5) Solte a porca do parafuso que prende a haste do garfo de seleção.

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6) Para retirar o dispositivo de seleção de engate de marchas, solte os parafusos. A peça é colada na flange, se tiver dificuldade, bata com cuidado com um martelo de borracha (6A).

  • 4977
    6A
  • 4972
    6B

Obs.: haste que faz a seleção de engate das marchas tem dois tampões com duas molas para acionar o dispositivo. Faça uma inspeção visual e um teste de funcionamento (6B).

7) Retire, em seguida, os suportes de articulação da haste de engate e os anéis o´rings para não vazar o óleo que vai ser substituído.

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8) Depois, remova a flange de ligação das árvores de transmissão, por meio dos dois parafusos. Use uma chave do tipo allen 6mm. Retire a flange do outro lado, também com a mola e a peça cônica usada para diminuir a vibração.

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9) Não esqueça de desconectar o sensor de velocidade.

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10) Remova os parafusos externamente e internamente na caixa e na embreagem, que fecham tampa com a carcaça da caixa de mudança. Retire os parafusos da carcaça.

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11) Em seguida, retire o vedador de óleo da flange do eixo da transmissão, que deve ser trocado por um novo.

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Vire a caixa:

1) No conjunto da quinta marcha, retire a trava que prende o cubo sonoro com a árvore primária. Utilize um alicate especial. Não esqueça dos óculos de segurança.

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2) A engrenagem da quinta marcha tem mais uma trava que precisa ser removida com alicate específico.

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Obs.: procure um apoio para que a trava não escape. A recomendação é substituir todas as travas.

3) Retire o conjunto da quinta marcha: anel sincronizador, luva de engrenamento, cubo sincronizador, molas das chavetas e chavetas.

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4) A engrenagem secundária de quinta velocidade sai sem interferência. Observe que cada componente retirado possui uma posição ideal de montagem, senão não permite movimento.

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5) Retire o rolamento da engrenagem da quinta marcha, que está encaixado na pista da árvore primária. Verifique o desgaste nas pistas, nas engrenagens e no rolamento.

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6) Faça a remoção da carcaça e lembre-se de aplicar a cola específica na hora da montagem. A peça sai juntamente com o conjunto primário da caixa.

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7) Agora, remova o pinhão que prende a coroa do diferencial.

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Obs.: A única regulagem necessária desta caixa é a regulagem de pré-carga dos rolamentos do apoio da caixa do diferencial, que são cônicos. Utilize calço de 1 mm lado da tampa e, após medir a folga da caixa, adicione um calço de 0,35 mm debaixo do anel de rolamento da carcaça como pré-carga.

8) Os rolamentos de rolos paralelos encaixados na tampa da caixa devem ser retirados por meio das travas de fixação.

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Obs.: Durante a instalação do conjunto não encoste os componentes e coloque os rolos com muito cuidado. Não pode bater para forçar.

9) Para apoiar as árvores durante a desmontagem e montagem, use o bloco ferro especial T10083.

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10) Em cima existem seis parafusos que prendem a placa onde estão alojados os rolamentos das árvores. Essa placa deve ser substituída após a sua remoção. Use a prensa e outra ferramenta tipo bloco para dar pressão para deslocar o conjunto primário e secundário com a placa que está sob interferência.

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Obs.: Cuidado com o deslocamento, pois os garfos estão soltos e podem danificar os dentes das engrenagens.

11) Com ajuda de um colega, retire as duas árvores com a ferramenta T10081. Os garfos têm que acompanhar o movimento das árvores juntas. Se tiver dificuldades, pare e veja se o procedimento está correto. Lembre-se que o garfo sai junto.

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12) Desmonte o conjunto que está preso, para isso, use a ferramenta especial Placa VW 402 que será encaixada na segunda engrenagem de acionamento, entre a engrenagem e a luva, em cima, está a outra ferramenta do tipo bloco para aplicar carga hidráulica na prensa e extrair os conjuntos.

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13) A plaqueta sai e ficam apenas duas árvores e a ferramenta que divide a 1ª engrenagem

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Obs.: Cuidado quanto o alinhamento das árvores.

14) Agora que a árvore primária foi removida, com o conjunto secundário na prensa, tire a trava que prende o cubo sincronizador com cuidado com a chave de fenda para aliviar e deslocar a trava.

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15) O conjunto sincronizador pode ser retirado com a ajuda do dispositivo T10081. Apóie a ferramenta entre as engrenagens da segunda e terceira velocidades.

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16) Coloque a peça de novo na prensa, apoiada no dispositivo T10084. Aplique a carga e segure na parte de baixo do conjunto para evitar que caia no chão.

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17) Agora, desmonte o conjunto da primeira e da segunda velocidades, que contem os anéis sincronizadores e a engrenagem da segunda marcha. Com alicate, tire a trava que tem uma inclinação voltada pra cima.

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18) Retire a engrenagem e fique atento para o rebordo, que deve ser voltado para baixo e a parte lisa para cima, não permitindo montagem errada.

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19) Tira a trava que apóia a engrenagem de terceira velocidade. Restou mais uma trava, que prende a engrenagem da quarta velocidade, nesse caso o rebordo voltado para cima (19A).

 

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Obs.: No pinhão, faça inspeções visuais, assim como na pista do rolamento de rolos paralelos. Veja se os dentes estão com coloração escura, riscos e fissuras nas pistas, nos dentes e em toda a árvore. Verifique também deformações na canaleta das travas (19B).

Eixo primário

1) Fixe a peça na morsa e retire a trava com alicate de trava de bico chato. Troque a trava por outra nova.

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2) A pista é montada sob interferência, por isso temos que usar o dispositivo Placa VW 402 de novo, colocado embaixo dos dentes de engate da engrenagem, bem apoiado para ir à prensa com o tubo de apoio. Aplique a carga.

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3) Com a pista do rolamento liberada, solte a arruela, a engrenagem da quarta marcha, o rolamento de rolos paralelos e o conjunto sincronizador.

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4) A última engrenagem a ser retirada é a terceira. Faça o mesmo procedimento

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Exame minucioso

• Com os dois conjuntos separados e desmontados, na ordem de trabalho, inspecione as engrenagens fixas da árvore primária.

• Verifique os anéis quanto a trincas, dentes e folga da engrenagem, que tem o valor compatível com cada modelo.

– Cheque ainda o rolamento de rolos paralelos e a sua pista. Veja se há fissuras, quebras ou desgaste também na pista interna da engrenagem.

Montagem:

Para montar as engrenagens, o técnico deve fazer o processo inverso da retirada, usando sempre as ferramentas adequadas e a morsa.

1) Monte a árvore primária: rolamento, engrenagem da terceira velocidade, anel sincronizador, cubo sincronizador, com rebordo para baixo, pista, rolamento e a engrenagem da quarta. Coloque na prensa.

Obs.: Na hora de colocar as travas, veja que o lado mais fechado é voltado para cima.

2) Quando os dois conjuntos estiverem montados, use a ferramenta T10083 para prensá-los.

3) Coloque os conjuntos juntos com o eixo da ré e encaixe o garfo na mesma posição inicial, com as sapatas da luva da primeira e segunda e da terceira e quarta, o eixo e a engrenagem da marcha ré.

4) Colocar uma mangueira no lugar do parafuso de apoio do garfo para servir de guia para colocação na carcaça.

5) Na carcaça, existe o furo guia do eixo da marcha ré. Empurre até encaixar e fazer o alinhamento para introduzir o parafuso.

6) Agora, coloque o parafuso do suporte do eixo da marcha ré, para evitar que saia de posição.

7) Em seguida, conecte os parafusos de fixação da placa de rolamentos. Encoste os parafusos e depois aplique o torque de 25Nm, com a cola específica.

8) Posicione a caixa no cavalete para encaixar o diferencial e feche a carcaça. A pista do rolamento deve encaixar com precisão dentro dos rolos paralelos na carcaça. Não pode bater, senão danifica o rolamento. Feche com a cola específica pelo fabricante, de acordo com a literatura técnica.

Colaboração técnica: SENAI Ipiranga




Troca da embreagem do Scania

Confira nessa reportagem as dicas de manutenção e a substituição do conjunto de embreagem do caminhão Scania R124 6×4 420

Carolina Vilanova

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Quem faz parte do universo da reparação sabe muito bem o quanto é importante cuidar bem dos componentes do sistema de embreagem tanto do carro quanto do caminhão, pois são eles que fazem transmitir a potência do motor para a caixa de mudanças e daí para o eixo traseiro e as rodas. A maneira com que o motorista dirige e as condições nas quais trafega são fatores importantes na manutenção e diagnose desse conjunto. Além disso, os caminhões que circulam em trechos urbanos sofrem mais desgaste do que os que rodam nas estradas, afinal acionam mais vezes a embreagem em suas operações diárias.

Vale alertar o seu cliente que descansar o pé sobre o pedal provoca sobrecarga no rolamento de acionamento e deslizamento parcial da embreagem, assim como segurar o caminhão numa subida controlando na embreagem. Mudanças bruscas de marchas provocam fortes trancos no conjunto de embreagem e sair em marchas altas acentuam o desgaste no disco e superaquece não só o disco e platô como também o volante do motor. Tudo isso representa desgaste e diminuição da vida útil.

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O prazo de troca da embreagem na manutenção preventiva depende do uso do caminhão, com as orientações do manual do proprietário.

Os componentes que fazem parte do sistema de embreagem são: disco de embreagem, platô, mancal de embreagem, garfo de embreagem, cilindro escravo e servo master, que vai no pedal. O fluido deve ser trocado conforme especificação do fabricante.

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As peças do conjunto podem ou não ser trocadas, a decisão fica por conta das condições de cada item depois de uma inspeção bem realizada. O técnico não pode esquecer de fazer também a verificação do estado do volante do motor.

Com a ajuda dos mecânicos Luciano Ariza Velasco e Maicon Neves dos Santos, da concessionária Scania Codema de Guarulhos/SP, acompanhamos a troca da embreagem do modelo Scania R124 6×4 420, ano de fabricação 2006, que aponta no hodômetro mais de 1 milhão de km rodados e nunca efetuou o procedimento. Em relação aos equipamentos de proteção, os mecânicos usam sapato de biqueira, óculos de proteção, protetores auriculares e luva química.

O primeiro passo é escutar a reclamação do cliente e comparar com alguns sintomas característicos de problemas no conjunto, tais como a patinação e trepidação na hora de sair com o caminhão e de mudar a marcha.

Depois, o técnico vai executar uma inspeção visual no conjunto, para isso, é preciso entrar embaixo do caminhão e observar por uma janela existente na carcaça do motor do caminhão e usar uma Ferramenta Especial disponível apenas nas Casas Scania para medir o desgaste do disco. “Esse procedimento confirma ou não a necessidade da substituição, atentando para o fato de que outros problemas na face do disco podem indicar a troca sem que o disco esteja gasto. Às vezes a avaria está na insistência operacional do motorista, que pode causar superaquecimento no disco, que também acarreta patinação e solta material do revestimento do disco, exalando um cheiro forte de queimado”, diz Luciano.

Obs.: O disco de embreagem novo tem 10 mm de espessura e depois do uso não pode ficar inferior a 3mm, ou seja, pode sofrer até 7 mm de desgaste.

Para os caminhões Scania fabricados a partir de 2008, há como opcional um sistema eletrônico de proteção da embreagem que alerta o motorista quando ele está sobrecarregando esse componente. Ao pisar no pedal, com o veículo parado, limita-se a rotação do motor a 900 rpm. Essa rotação é mais do que suficiente para um arranque normal, com um mínimo esforço da embreagem. Com carga leve em uma rodovia plana, basta que o motorista solte a embreagem devagar, com o motor em marcha lenta, para que o caminhão saia com facilidade.
Se por alguma razão o motorista não perceber que está sobrecarregando a embreagem, uma mensagem em amarelo surgirá no painel de instrumentos indicando sobrecarga da embreagem.

Procedimentos:

 

1) O primeiro passo para começar o processo de desmontagem da embreagem é bascular a cabina e colocar uma trava de segurança, que também é Ferramenta Especial Scania, para manter a cabina basculada com segurança.

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2) Antes de remover a caixa de mudanças, retire os periféricos para ter melhor acesso e facilidade no serviço: a plataforma traseira e as tomadas elétricas da carreta, do trambulador, do tubo de escape e do cardan.

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3) Apóie o motor com um calço apropriado e solte agora os parafusos da caixa de mudanças, mas tenha um cavalete e uma corrente de aço já prepararados para segurar o conjunto. Para montagem use um torquímetro.

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4) Retire os parafusos do platô, e em seguida, desencaixe a peça. Faça o procedimento com cuidado.

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De olho nas peças

Agora que as peças estao colocadas numa bancada, o técnico deve fazer uma boa inspeção no sistema.

1) Verifique o volante do motor quanto ao desgaste de material, trincas relativas a superaquecimento ou restos do próprio rebite do disco, que raspa o volante exigindo substituição ou retífica.

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2) Analise o estado do platô. Com o gabarito veja se o platô está dentro das condições descritas pelo fabricante. (2A).

 

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3) Veja se há necessidade de troca do reparo do cilindro escravo, para isso, desmonte a peça e analise os componentes. Inspecionar as peças do cilindro escravo. O mecânico pode optar pelo kit reparo ou a a troca da peça inteira, dependendo das condições (3A).

 

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4) O servo master sofre a mesma inspeção.

Dicas de montagem:

1) Com o auxílio do eixo piloto centralize o disco de embreagem novo no seu alojamento, só remova o eixo depois que apertar os parafusos do platô. Não esqueça de usar o torquímetro. (1A).

 

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2) Depois da caixa de mudanças colocado, faça a sangria do fluido de embreagem, para isso, complete com o fluido e feche o compartimento. Conecte a mangueira de ar e abra a sangria do servo escravo (niple) aperta o gatilho para pressurizar o fluido e eliminar as bolhas de ar existentes no circuito hidráulico. Faça o procedimento até sair todo o ar. Feche e está pronto.
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Remanufaturado: : peças que podem ser remanufaturadas são platô e disco. Além delas, a Scania possui um amplo sortimento de peças remanufaturadas por meio do “Sistema de Troca Scania”. São peças com garantia de 12 meses em toda rede de concessionárias a um preço muito especial, que proporciona um reparo rápido e mais econômico.

Colaboração técnica: Codema Guarulhos