Fernando Calmon | Meandros Da Segurança



Os brasileiros dão mais importância a alguns recursos de conectividade do que motoristas de alguns outros países, conforme pesquisa comparativa feita pela operadora Telefônica, na Europa. Um exemplo: 30% dos brasileiros estão interessados em acessar as mídias sociais em automóveis, contra apenas 9% no Reino Unido. No entanto, conectividade está intimamente ligada à segurança e esse dois temas levaram a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) a organizar um seminário semana passada em São Paulo (SP).

Quando se trata do conceito mais amplo de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês) o viés de segurança se impõe. De acordo com a Bright Consulting, há diferentes taxas de aplicação dos sistemas ADAS. Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês) e câmera de ré estão em 40% e 35%, respectivamente, dos veículos vendidos no Brasil e em 100% dos comercializados nos EUA.

No máximo 2% dos carros novos emplacados aqui vêm com detector de fadiga, assistente de manutenção de faixa e frenagem autônoma de emergência (AEB, em inglês). Na Europa a taxa de aplicação já supera 50% e os três itens estarão em 100%, obrigatoriamente, em 2021. As regulamentações no Brasil estão avançando e os cronogramas de adoção são mais lentos, basicamente pelo custo elevado das diferentes tecnologias e a necessidades de adaptações às condições de uso bastante severas no Brasil.

Entre os dispositivos citados o AEB reúne maior potencial de aumento da segurança viária por diminuir atropelamentos (ou a sua severidade) e até 40% das colisões em baixa e média velocidades (contra carros estacionados, em movimento ou parados, além de obstáculos fixos). Todos são fruto de distração, imprudência, negligência e algumas vezes de inabilidade ao volante.

Nos debates chamou-se atenção para o desenvolvimento de protocolos que levem em conta como os motoristas interagem com os sistemas de assistência e percebem as limitações. Os níveis de autonomia veicular variam de 1 a 5 em função da interatividade. Carros autônomos continuam a avançar, porém o prazo de sua chegada ao mercado ainda suscita dúvidas. Mesmo o nível 4, que dispensa qualquer atenção ao volante e aos pedais (eliminados no nível 5), ainda será muito caro para automóveis particulares. Esperam-se, primeiramente, aplicações comerciais, em frotas de uso intensivo e roteiros específicos.

A STÄRKX Automotive lembrou um ponto importante que, se esquecido, traz sérios problemas. Todos os sensores ADAS aplicados em espelhos retrovisores, para-brisas, grades, para-choques e outros componentes menos visíveis precisam ser recalibrados após uma colisão, substituição ou simples remoção para manutenção.

Também se deve considerar que carros elétricos estão suscetíveis a problemas de segurança específicos, quando enfrentam alagamentos ou sofrem colisões mais severas. Nesse casos, melhor se afastar imediatamente e procurar socorro especializado. Por esses motivos companhias no exterior estão cobrando muito caro pelo preço do seguro.

ALTA RODA

MINISTRO da Economia, Paulo Guedes, acenou para uma gradual redução das tarifas de importação. Uma curva progressiva: 1 ponto percentual (pp), no primeiro ano; 2 pp, no segundo; 3 pp, no terceiro; 4 pp, no quarto. No caso de automóveis significaria o imposto de importação cair dos atuais 35% para 25% ao longo de quatro anos, pela interpretação da coluna. 25% é tarifa máxima imposta pelos EUA à China, por exemplo. Resta saber se a indústria teria condições para exportar sem os impostos hoje incidentes.

RENAULT Kwid Outsider segue a fórmula aventureira, porém trilha o caminho de chamar atenção sem exageros. Preço de R$ 43.990 dentro do razoável. Há uma mudança mecânica estendida a todos os Kwids: freio dianteiro a disco ventilado, novo servofreio e pistões de pinça maiores. Sensação de toque e progressividade no pedal ficou melhor.

VERSÃO intermediária Comfortline do VW T-Cross – motor turboflex de 1 litro e câmbio automático 6-marchas – tem boa desenvoltura em cidade e nem tanto em estrada. O modelo de entrada, com câmbio manual, surpreende pela agilidade em qualquer situação. Espaço interno, ergonomia e comportamento dinâmico superam a média dos concorrentes.

NISSAN inaugurou na semana passada um Estúdio de Design, em São Paulo (SP), para aproveitar talentos locais no desenvolvimento de séries especiais e colaborar em projetos no exterior que podem chegar ao Brasil e em outros mercados. Líder da equipe é o americano de origem vietnamita John Sahs e conta, inicialmente, com seis especialistas brasileiros.

FERRAMENTA inovadora desenvolvida pelo consórcio digital www.carroparatodos.com.br, em parceria com o Grupo Disal, ajuda a planejar um possível lance vencedor por meio de simulações estatísticas e um algoritmo específico. Todo o processo é feito online e permite ao interessado uma flexibilidade na entrega do veículo, sem depender apenas da sorte.

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Fernando Calmon | Como virar o jogo



Entre as inúmeras frases de efeito criadas no mundo dos negócios está o termo BTR (De Volta à Corrida, na sigla em inglês). Esse termo se aplica bem ao esforço recente da Peugeot em mudar sua imagem no Brasil. A marca teve algo em torno de 2,5% de participação de mercado e caiu para menos de 1%. Hoje, ronda 1,2% ou metade do que já representou. Este cenário coincidiu com dificuldades financeiras da matriz na França, agora lucrativa, depois do controle tripartite das ações entre família fundadora, governo francês e chinesa Dongfeng.

A virada aqui começou pelo básico. Renovação de 70% das concessionárias, investimento em treinamento – em três anos se gastou mais que nos últimos 15 anos – e disponibilização de uma frota própria de 1.000 carros de reserva distribuída entre quase 100 pontos de venda. Ao mesmo tempo bateram na tecla: “Se o cliente não estiver satisfeito com o serviço ou atrasou a entrega, não paga.” Foi criado serviço de reboque para veículos de até oito anos de uso, em pane ou acidentado.

Agora apresenta a primeira revitalização do SUV compacto 2008. Mudaram para-choque dianteiro, grade, capô, logotipo do leão estilizado saiu do capô para a grade, DRL e rodas. A inspiração estilística veio do 3008, importado da França, que passou a oferecer versão de entrada por competitivos R$ 139.990. No 2008, o interior recebeu nova central multimídia, teto solar e ar-condicionado bizona. Neste caso, os preços se mantiveram nominalmente iguais de R$ 69.990 a R$ 99.990, o que significa queda real de preços. A empresa espera aumento de 30% nas vendas do modelo.

Faz, ainda, outro movimento ousado. Torna-se a primeira marca generalista no Brasil a aposentar totalmente a caixa manual. Tanto os motores de 1.600 cm³ de aspiração natural (118 cv/etanol) quanto o turbo (173 cv/etanol) só são oferecidos com câmbio automático de seis marchas.
Desde o lançamento do 2008, em 2015, apesar dos vários desmentidos da Peugeot, essa coluna antecipou que o motor turbo seria acoplado ao câmbio automático. Não havia empecilho técnico ao analisar o carro. Provavelmente, existia estoque elevado, a ser escoado, da anterior e sofrível caixa automática de quatro marchas. Para ajudar na decisão, o mercado brasileiro deu uma forte guinada e foi deixando de lado as caixas manuais. A marca francesa afirma oferecer o único SUV automático abaixo de R$ 70.000 para o público PcD.

O carro perde em espaço interno para seu irmão de arquitetura Citroën C4 Cactus e ganha no volume do porta-malas. No entanto, apresenta comportamento dinâmico um pouco melhor, em especial em arrancadas mais fortes com o motor turbo. Seu volante ligeiramente ovalado e de pequeno diâmetro permite experiência muito interessante, inclusive visão do quadro de instrumentos por cima da parte superior do aro.

ALTA RODA

FCA anuncia, na próxima semana, que terá motores turbo de três e quatro cilindros na sua gama Fiat e Jeep. Baseiam-se nos Firefly de 1 litro e de 1,33 litro para fabricação em Betim (MG). Serão motores sofisticados e disponíveis para 2020. O atual 1,75-litro de aspiração natural E-Torq (mais barato de produzir) continuará em linha ao menos até 2023 e também receberá atualizações.

PRIMEIRO carro elétrico da Jaguar, I-Pace, chega ao Brasil por R$ 437.000, incluídas revisões grátis nos cinco anos de garantia. Potência total de 400 cv (dois motores, um para cada eixo, tração 4×4) e nada menos de 69,6 kgfm lidam bem com o peso adicional das baterias de 90 kWh: acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 s. Autonomia de 470 km, no ciclo WLTP, mais próximo da realidade.

USO prático do I-Pace, nas condições brasileiras de subidas e descidas, não deve garantir tanta autonomia. Há apenas 200 carregadores públicos no País contra 40.000 postos de combustíveis. Mas a Jaguar criou um sistema de navegação inteligente, capaz de cruzar as informações da rota desejada com a autonomia disponível para viagens mais descontraídas.

CHEVROLET Tracker Midnight, importado do México, segue a moda dos apliques pretos do logotipo às rodas. O desempenho do motor turbo (1,4 L, 153 cv) é o maior destaque deste SUV compacto. Suas dimensões limitam o espaço interno e o tamanho do porta-malas. Direção precisa, câmbio automático de seis marchas e suspensão bem acertada destacam-se.

PESQUISA feita na Alemanha pela Bosch revelou que há grande demanda para aplicativos de telefone celular substituírem as chaves tradicionais ao abrir/fechar o carro e desbloquear/bloquear a ignição. Entre as vantagens estão menos possibilidades de extravio, mais pessoas compartilharem o carro e a segurança em caso de furtos graças ao bloqueio remoto.

EMPERRADA há mais de dois anos no Contran, a vinculação do licenciamento anual à comprovação de atendimento a um eventual recall pode se tornar obrigatória. Pelo menos esta é a proposta tramitando na Câmara dos Deputados, de autoria de Juninho do Pneu (DEM-RJ). Apenas 40% dos proprietários, no máximo, atende aos recalls, uma ameaça à segurança.

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Fernando Calmon | Automec aponta bom sinal

A 14ª edição da Automec,
feira internacional bienal de autopeças realizada semana passada em São Paulo,
superou as expectativas. Ocupou todo espaço disponível de 90 mil m², além de 20
mil² de área de interação. Atraiu 75 mil visitantes, a grande maioria de
profissionais, e se transformou na segunda maior deste setor no mundo. É o maior
evento comercial da América Latina, segundo a Reed Exhibitions, pois as rodadas
de negócios nacionais e internacionais somaram R$ 77 milhões.



O setor de reposição de autopeças espera movimentar até 2022
cerca de R$ 142 bilhões, segundo estudo da consultoria McKinsey. Em 2017 foram R$
95 bilhões.



Embalada com o crescimento no faturamento de 12,8% no primeiro bimestre deste ano, em
relação ao mesmo período de 2018, a indústria brasileira de autopeças não perdeu a oportunidade de
“marcar terreno” para enfrentar forte concorrência do exterior, em especial da
China, Turquia, Índia e Coreia do Sul, além de fabricantes da América do
Sul.



O pavilhão
internacional atraiu 580 marcas de 26 países, 200 a mais do que em 2017. China
liderou com 10% do total dos estandes. Além de Índia, Turquia e Coreia do Sul
os alemães vieram pela primeira vez. Estrangeiros representaram mais de um
terço dos 1.500 expositores.



Um evento importante foi o Encontro da Indústria de
Autopeças. “Vivemos momentos de disruptura em todas as atividades. Na nossa,
isso é ampliado pela forte concorrência mundial e novos rumos da mobilidade,
conectividade, automação e eletrificação dos automóveis’, afirmou Dan Iochpe,
presidente do Sindipeças.



Herbert Demel, CEO da canadense Magna e ex-presidente da VW
do Brasil, ressaltou que o poder de compra no Brasil triplicou desde 1980. “Os
negócios vão florescer principalmente porque o País tem o etanol, que poderá
ser muito bem utilizado em motores híbridos.”



Sobre o futuro da eletrificação continua a falta de
consenso. Volker Barth, ex-presidente da Delphi do Brasil e hoje diretor da
consultoria americana The Horizons Group, enfatizou: “Eu não acredito que o
futuro seja o automóvel elétrico com bateria. Acho que muita gente corre
depressa demais por esse caminho.”



Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, destacou que
sua empresa investe na eletrificação, mas dá um passo de cada vez. “Acreditamos
que híbridos flex, como nosso Corolla, proporcionarão escala de produção mais
imediata. Não seria tão viável iniciar com um produto totalmente elétrico”.



Para Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, a
indústria brasileira precisa fugir de amarras tributárias. “Nossos custos de
produção são inferiores cerca de 10% em relação a um modelo equivalente nos
EUA. Mas quando chega às concessionárias aqui, o carro custa até 35% mais caro.
Não é possível ser competitivo com uma carga tributária de 40 a 50% do preço
final de um veículo”.



Entre muitas novidades que foram apresentadas nesta Automec,
o revolucionário filtro sem papel da italiana UFI, o óleo lubrificante
sintético da brasileira Petrol e o adesivo universal da alemã Loctite para
restauração de rodas de liga leve trincadas em menos de meia hora.



ALTA RODA



DISCRETAMENTE,
Mercedes-Benz anunciou que sua picape média Classe X não será mais fabricada na
Argentina. A empresa realocou investimentos e não garantiu que importará o
modelo produzido na Espanha. Situação econômica do país vizinho pode ser uma das
causas. Fica no limbo a picape Renault Alaskan, já adiada para 2020. Nissan
Frontier é base das três picapes.



ALTURA de rodagem
elevada em 4 cm deixou a versão aventureira Trekking, do Fiat Argo, pronta para
incursões leves fora de estrada e enfrentar obstáculos “naturais” de ruas e
estradas. São 21 cm de vão livre com pneus de uso misto e perfil alto. Teto
pintado de preto e aplique da mesma cor no capô chamam atenção. Entre quatro
concorrentes diretos, preço competitivo: R$ 58.990.



FORD importa,
agora, o SUV médio Edge apenas na versão esportivada ST. Os 335 cv (51 a mais)
e 54,4 kgfm trazem boas sensações. Câmbio automático de oito marchas, rodas de
21 pol., molas até 20% mais firmes e barra estabilizadora de maior diâmetro
estão coerentes com a proposta. Carrega celular por indução e oferece nível 2
de condução autônoma. R$ 299.900.



MUDOU bastante o
estilo do novo Mitsubishi Pajero Sport, importado da Tailândia. Ficou melhor,
porém lanternas traseiras são audaciosas demais. Conforto interno (sete
lugares) melhorou com 10 saídas de ar-condicionado. Suspensão traseira manteve
eixo rígido e adota molas helicoidais com três braços. Avançou em eletrônica de
bordo e também no preço: R$ 265.990.



ESPAÇO para estimular
novas ideias e criação de aplicativo para carros compartilhados (inicialmente
para funcionários da fábrica) são as primeiras ações desenvolvidas pelo Renault
Lab, no Cubo Itaú, em São Paulo. A marca francesa aposta na criatividade
brasileira.



RESSALVA: SUV de
topo da Chery é o Tiggo 8 e não T8, como publicado semana passada.

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Fernando Calmon | Xangai na corrida tecnológica

A grandiosidade característica do país com maior número de
habitantes – 1,3 bilhão, alguns estimam até 1,4 bi, pois nem o governo chinês
sabe com certeza – se reflete com clareza no Salão do Automóvel de Xangai.
Alguns levantamentos, como do site inglês just-auto,
contabilizam mais de 100 lançamentos, a grande maioria focada no mercado interno,
além de 136 apresentações à imprensa. Os organizadores informam 360.000 m² de
área de exposição, mais que o triplo da São Paulo Expo, mas o público só tem
acesso por oito dias (18 a 25 de abril).



O mercado interno chinês, também o maior do mundo (em torno de
27 milhões de veículos leves e pesados ou 60% a mais que os EUA), caiu pouco
menos de 4% no ano passado pela primeira vez em quase duas décadas. Mas há
lugar para tudo. A mostra chinesa teve algumas estreias mundiais como os BMW
X3M, X4M e X7, Mercedes-Benz GLB (modelo intermediário entre GLA e GLC para
sete lugares), Porsche Cayenne cupê, além do Lamborghini Huracán Evo.



A VW criou até a submarca Jetta, exclusiva para o mercado
local, que replica modelos modificados da espanhola Seat e outros que só
existem por lá. A empresa alemã quer se aproximar mais da JAC e tentar adquirir
a maior parte de suas ações, permitido pelo governo chinês desde o ano passado,
quando caíram o limite de 50% e a obrigação de um sócio local. Por enquanto,
porém, há mais especulações do que fatos.



SUVs continuam atraindo atenção nos vários mercados
mundiais, contudo na China essa onda não é tão dominante. No entanto, dá para
notar como regra geral, desenhos de carroceria mais arrojados, linhas traseiras
elaboradas, além de lanternas dianteiras e traseiras com formatos inusitados
permitidos pela tecnologia dominante de LED.



Como maior mercado mundial também para veículos elétricos e híbridos,
Xangai foi um verdadeiro festival. Desde o subcompacto Renault City K-Ze (dá
boa indicação da evolução estilística do Kwid) até o surpreendente BYD e-SEED
GT, todos ainda como carros-conceito, a exemplo do Audi AI:ME e do VW ID.
Roomzz.



A guinada chinesa para os elétricos vai muito além da visão
ambiental. Eles cansaram de perder a corrida para o Ocidente em motores
convencionais e querem depender menos do petróleo, embora suas usinas elétricas
movidas a carvão só piorem as emissões brutas de CO2. No entanto,
apostam pesado em IA (inteligência artificial), telefonia 5G e soluções
sofisticadas de reconhecimento de voz e de face que vão marcar os maiores
avanços tecnológicos da indústria automobilística nos próximos cinco a dez
anos.



Entre os modelos que interessam diretamente ao mercado
brasileiro surgiram o Chevrolet Tracker e o Hyundai ix25, aqui lançado como
Creta, mas a versão brasileira não deve ousar tanto quanto a chinesa. Também
apareceu por lá o novo Nissan Sentra que, finalmente, perdeu seu ar
excessivamente conservador.



A Chery exibiu o SUV de topo Tiggo 8 evoluído em relação ao
exibido no Salão de São Paulo, em novembro último. As modificações estarão no
modelo a ser produzido em Anápolis (GO) no final deste ano. O sedã Arrizo 5
recebeu mudanças internas e também estreou o novo Arrizo 6, do mesmo porte de
Corolla e Civic.



ALTA RODA



FORTES rumores
indicam que a VW poderá fabricar sua nova picape médio-pequena na fábrica
argentina de Pacheco e não em São José dos Pinhais (PR). Planos de exportação
para mais de 50 países (Tarok está sendo exibida no Salão de Nova York até 28
de abril) explicariam a escolha. Pacheco terá espaço livre com deslocamento da
Amarok para instalação vizinha da Ford.



RENAULT ampliou
seu programa de mobilidade. Além da operação de aluguel temporário de modelos
convencionais para funcionários na fábrica paranaense, disponibiliza agora uma
unidade do elétrico Zoe em São Paulo. Incluiu também integrantes de startups abrigadas
no Cubo, centro de inovação do Itaú, onde está o Renault Lab. Preço atrai: R$ 6
por 15 minutos de uso.



NISSAN KICKS tem bom desempenho em uso urbano
e consumo de combustível contido por seu baixo peso (1.142 kg). Interior agradável
e porta-malas (432 litros) também se destacam. Em estrada falta algum fôlego e exige
usar o modo “S” (botão mal localizado) do câmbio automático CVT. Muito útil o
aviso de risco de colisão em baixas velocidades com frenagem automática.



FIAT acaba de
fazer testes de longa duração, na Itália, com nova proposta de combustível.
Mistura de 20% de álcool (15% de metanol e 5% de etanol) na gasolina. O
desempenho dos carros melhorou e as emissões de CO2 caíram 3%. Cada Fiat
500 da frota rodou 50.000 km em 13 meses. Só aqui pessoas desinformadas acham
que nosso gasool “piora” a gasolina…



COMEÇAM no
próximo mês as vendas de bafômetros individuais da marca francesa LeBallon. São
opção segura para o motorista checar se passou o efeito de bebida alcoólica,
antes de assumir o volante. Apenas um copo de cerveja ou taça de vinho exigem um
tempo até não deixar mais traços no organismo. A peça, importada, é cara: R$
100, na internet.



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Fernando Calmon | Pontuação em discussão

A proposta de aumento de 20 para 40 pontos em multas que
levem à suspensão temporária da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), enviada
pelo Governo Federal ao Congresso, precisa ser mais bem discutida. Até quando
se compara com outros países, é necessário estudar a sistemática que cada um
adota. Não existe uma regra geral ou mais aplicada. No Brasil, há algumas peculiaridades,
entre elas uma fiscalização eletrônica rigorosa, muitas vezes em forma de
armadilha, pois faz alguns anos que caiu a obrigatoriedade de sinalizar sua
existência, ao contrário de vários países.



Entre as distorções está o próprio processo de atribuição de
pontos, que mistura faltas administrativas e infrações de trânsito. Um exemplo
é o rodízio veicular da cidade de São Paulo, onde não há indicações das ruas e
dos finais de placas afetados. Outro problema é o aumento recente do período
mínimo de suspensão da CNH de um para seis meses. Essa mudança foi feita sem
alterar os 20 pontos para suspender a CNH e isso precisaria ser repensado.



Fica sem sentido uma suspensão de seis meses por
transgressões menores. O sistema anterior estava bem balanceado, quanto mais
que as multas estão sujeitas, desde 2016, a sofrer correção de valores pela
inflação, em clara oposição ao processo geral de desindexação da economia.



O valor maior até já diminuiu o número de infrações e arrecadação
das prefeituras. Estas não podem utilizar esse dinheiro fora do previsto pelo
Código de Trânsito Brasileiro – educação e ações de segurança como sinalização
–, mas se tornou letra-morta. Que, ao menos, se obrigue então a tapar buracos e
melhorar as condições das vias.



O critério utilizado na Itália parece o mais justo. Lá a
pontuação apresenta o viés educativo de aumentar a margem para suspensão da
carteira em razão do número de anos em que o motorista não recebe nenhuma multa.
Nesse caso, seria aceitável aumentar o limite para até 30 pontos, por exemplo, se
o motorista ficasse três ou quatro anos sem cometer infrações. Aqui cada
pontuação prescreve depois de 12 meses, independentemente da gravidade: andar
na contramão ou estacionar em local proibido.



As chamadas lombadas eletrônicas, apesar de muitas vezes
impingirem limites completamente abaixo da realidade, pelo menos estão à vista
de todos, em totens. As aberrações aparecem quando um determinado radar multa
20 ou 30 vezes mais que a média dos demais, como acontece com alguma frequência
e sem estudos que embasem tal rigor.



Países com maior número de carros por habitante que o Brasil
apresentam trânsito mais seguro. Basta ver o número de mortos e feridos na
Europa ou EUA em relação à frota registrada. A conscientização começa nas
escolas, passa por um processo de habilitação bastante rigoroso e fiscalização
justa, sem pegadinhas.



Apesar disso, há alguma distorção, mesmo no exterior.
Motoristas profissionais na França, por exemplo, podem dirigir sem cinto de segurança.
Basta entrar em um táxi em Paris ou outra cidade. Se perguntados, eles confirmam,
alegam o cinto incomodar, mas lembram com algum cinismo que motoristas de
aplicativos são obrigados a usar.



ALTA RODA



TOYOTA acaba de confirmar
que produzirá a nova geração do Corolla também na versão híbrida (pela primeira
vez no mundo com motor flex), em Indaiatuba (SP). Lançamento previsto para
setembro próximo e comercialização simultânea da versão convencional que estreia,
igualmente novos, motor de 2 litros (maior potência e torque) e câmbio CVT de
melhor resposta.



NOVO Onix sedã
(produção, setembro; entregas, outubro) terá mesmo um novo motor turbo de 1
litro e três cilindros. Porte é quase o mesmo do Cobalt. Um mês depois virá o hatch
que, por ser menor, oferecerá versão com motor de aspiração natural. Nome Onix,
nascido no Brasil, agora se torna global. Antes, só EcoSport tinha saído daqui
para o mundo.



MOTOR 1,6 L
aspirado, apesar de entregar 51 cv a menos que a versão turbo THP, deixa o
Citroën C4 Cactus perfeitamente aceitável em termos de desempenho. O “segredo”
é o ajuste fino do câmbio automático Aisin de seis marchas e a possibilidade de
acionar o modo “S” para respostas imediatas ao acelerador. Ajudam também 46 kg
a menos e 4 cv a mais que o C3 Exclusive.



CARROS autônomos
continuam em desenvolvimento, mas o presidente mundial da Ford, Jim Hackett,
admitiu: “A tecnologia vai demorar mais para amadurecer do que o esperado”. Isso
dentro de um programa de investimento de US$ 5 bilhões. Ele ainda tem planos
de, em 2021, rodar uma frota de teste, mas dentro de limitações. “Tudo é muito
complexo”, ressalvou.



SEGUNDO estudo da
Bright Consulting, o estímulo de 1 ponto percentual no IPI para fabricantes que
superarem a meta obrigatória de consumo de combustível em 5,7%, significa cerca
de R$ 400 em um modelo com preço público de R$ 50.000. Para 10,8% de economia,
ganham 2 pontos percentuais de IPI, em torno de R$ 800,00. Nada fácil: tecnologias
envolvidas são caras.



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Fernando Calmon | Exportar é crucial

Como o Brasil poderá se inserir no contexto de abertura de mercado que vem sendo prometida pelo ministro da Economia Paulo Guedes? Este foi um dos temas mais debatidos no Congresso Latino-Americano da Indústria Automobilística, que acaba de ser realizado pela Editora Autodata. Há duas frentes imediatas em discussão em relação aos veículos: comércio sem barreiras tarifárias com União Europeia e com o México.

Pelas regras do Mercosul, só o bloco de quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) pode negociar. Um acordo esteve próximo no ano passado e a transição seria longa, de 10 a 15 anos, até o Imposto de Importação sobre veículos passar a ter alíquota zero. Para aumentar as incertezas, o novo governo brasileiro estuda alternativas, entre elas um acerto direto com os europeus. Seria um sério revés para o Mercosul que, depois de 24 anos, nem ao menos conseguiu se estabelecer como zona de livre comércio.

No entanto, o Brasil se entendeu, há pouco mais de uma semana, com o México. Ao contrário do regime vigente no Mercosul (para cada dólar importado por um país, 1,5 dólar pode ser exportado para o outro), passou a vigorar o livre comércio, sem cotas ou impostos alfandegários. Os mexicanos hoje produzem mais que o Brasil e ainda receberam grandes investimentos de marcas europeias e asiáticas. Significa que vários modelos, inclusive de marcas premium, poderiam chegar aos portos por preços bastante competitivos, pois os custos de fabricação no México são de 20% a 25% menores que os daqui.

Pablo Di Si, presidente da Volkswagen no Brasil, lembrou durante o congresso um ponto importante. O nível de componentes realmente produzidos no México é baixo. Para exportar, agora livremente para cá, pelo menos 40% das peças precisariam ser de origem mexicana. E isso está difícil de comprovar, pois eles se beneficiam de componentes bem mais baratos, importados em altos volumes de vários países, em especial dos EUA. Aqui, ao contrário, a indústria de autopeças tem forte presença, mas enfrenta o penoso custo Brasil.

O presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga, apontou as distorções ao comparar preços. Excluídos os impostos, aqui e no exterior, o Brasil apresenta valores menores. Seríamos, então, competitivos para exportar, mas isso deixa de ocorrer porque não há desoneração total quando se vende ao exterior, como outros países o fazem. Com exportações maiores, escala de produção subiria e cairiam custos internos. Isso o México faz muito melhor que o Brasil.

Um programa sério de exportação teria de começar com a total retirada de tributos, sem gerar créditos que se acumulam, como os do ICMS. Só no Estado de São Paulo as fabricantes têm entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões a receber. Também seria necessário aumentar o conteúdo tecnológico (comprando e vendendo, de e para o exterior, isento de impostos), a produtividade nas fábricas e, claro, investir muito, mas muito mesmo, em infraestrutura.

O País precisa abrir sua economia. Mas sem um processo ordenado e simultâneo de aumento de competitividade da indústria e do setor de serviços, isso não será possível.

ALTA RODA

ONIX passa a ser nome mundial em compactos da GM, inclusive na China. Haverá cinco silhuetas: hatch, sedã, SUV (Tracker), monovolume (Spin) e picape (Montana). Prisma poderá se chamar Onix sedã, vai crescer e ocupar o lugar do Cobalt. Coluna antecipa início de produção em Gravataí (RS): setembro e novembro deste ano, sedã e hatch, respectivamente. No mercado, 30 dias depois.

OITAVA geração do Porsche 911 chega em maio ao Brasil. Carrera S, R$ 679.000 e 4S (tração 4×4), R$ 719.000. Potência (450 cv) e torque (54 kgfm) subiram. Em dirigibilidade surpreende: ainda melhor em curvas. Apesar de mais largo e usar rodas de 20 pol. de diâmetro na frente e 21 pol. atrás, massa diminuiu 24 kg. Eletroassistência melhorou resposta do pedal de freio.

PRIMAZIA mundial do novo 911, detecção de pista molhada por meio de microfones nas caixas de rodas reprograma parâmetros de desempenho. Linhas estão ainda mais harmônicas: teto em angulação pronunciada, maçanetas das portas as, desenho do defletor atrás e fina faixa luminosa unindo as lanternas traseiras. Interior, foi todo renovado.

JEEP Renegade Limited recebeu retoques frontais com inspiração moderna no utilitário original dos anos 1940. Boa evolução foi o para-choque dianteiro igual ao da versão 4×4 a fim de aumentar o ângulo de entrada, agora compatível à proposta do modelo. Antes raspava facilmente em lombadas e valetas. Nova tela multimídia ficou bem melhor que a anterior.
BURACOS de todos os tipos e tamanhos em ruas e até em estradas infernizam a vida dos brasileiros. Depois das fortes chuvas de verão, situação piorou. A ponto de a Dunlop relembrar que, desde 2015, oferece garantia de reposição de pneus danificados de forma irreversível, quando vendidos na sua rede autorizada. Verdadeiro seguro contra irresponsabilidade dos governos.

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Fernando Calmon | Equilíbrio alcançado

O programa IncentivAuto do governo de São Paulo para estimular a produção de veículos no Estado pode parecer que se trata de uma guerra fiscal, mas não é. Afinal, além das contrapartidas obrigatórias, a intenção foi apenas se aproximar – não superá-las – das condições já oferecidas por outros Estados. Até o momento, infraestrutura de transporte e logística, mão de obra especializada e grande parque de fornecedores em São Paulo haviam sido suficientes para dispensar a renúncia de impostos.

Na grande maioria dos países, investimentos da indústria automobilística são altamente disputados. Quando marcas japonesas se instalaram nos EUA há mais de 30 anos, Estados do Centro e do Sul do país ofereceram vantagens financeiras fabulosas. Isso ajudou a desequilibrar a concorrência com as Três Grandes de Detroit (GM, Chrysler e Ford). Foi um dos motivos para as duas primeiras quebrarem financeiramente, na crise bancária de 2008/2009.

No Brasil, o cenário se repetiu. Nos anos 1970, sem o investimento do governo de Minas Gerais, a Fiat nunca teria vindo. Outros exemplos: GM, em Gravataí (RS), Ford, em Camaçari (BA) e FCA, em Goiana (PE). Estado do Rio de Janeiro também atraiu PSA Peugeot Citroën, Nissan e VW Caminhões. Goiás, a CAOA Hyundai e Mitsubishi. Paraná, a Volvo Caminhões, Renault e VW. Em todos os casos incluíram-se robustos incentivos fiscais.

A GM foi a primeira a se enquadrar nas novas regras no programa paulista. Este exige criar um mínimo de 400 empregos diretos e 800 indiretos (pode parecer pouco, mas não é, porque automação da produção tornou-se irreversível no mundo todo) e em troca entra um desconto de 2,5% do ICMS para cada R$ 1 bilhão investido. Como a empresa desembolsará R$ 10 bilhões, terá direito ao crédito máximo de 25% de ICMS.

Outros Estados oferecem ou ofereceram descontos de até 100% do ICMS. Era o que tinham disponível para atrair empresas e mudar seu raquitismo econômico.

Sem dúvida, a marca americana agiu rapidamente, incluindo todos os envolvidos: concessionárias (menos 1 ponto percentual da margem líquida de venda), fornecedores (concordaram com reduções de preços e/ou sua manutenção pelos próximos dois anos) e o sindicato de São José dos Campos (SP) abriu mão de parte de vantagens salariais.
O governo paulista ficou por último nessa pretensa guerra fiscal, mas mostrou uma posição pragmática. Se nada fizesse, investimentos não viriam e muito menos os impostos. Quem iria piscar primeiro, olho no olho? Assim é no mundo todo: de pouco adianta espernear.

São Paulo, no entanto, abusou no capítulo dos impostos não compensados sobre veículos vendidos ao exterior. Exportar impostos é uma brincadeira que só existe aqui. Agora, promete equacionar o problema, como o Paraná já o fez.

Outro fato importante, Brasil e México concordaram em estabelecer livre comércio de veículos, sem taxas ou cotas, a partir deste mês. Mexicanos aceitaram aumentar o conteúdo de peças locais para 40% e vão incluir caminhões no acordo. Fabricantes aqui instalados temem perder investimentos – além do que já perderam.

Mas o jogo é assim mesmo: não dá para ganhar sempre, nem perder sempre. Há de existir um equilíbrio.

ALTA RODA

DOR DE CABEÇA com nova versão do sistema operacional Android 9 Pie para smartphones. Aplicativo Android Auto passa a não se comunicar com as centrais multimídia, mesmo as mais modernas, como a Ford Sync 3. Não é possível usar nem Waze e nem Google Maps. Recomendável procurar concessionárias de veículos para atualização ou desinstalar o Android Auto.

BMW SÉRIE 3, sétima geração, oferece mais espaço interno, em especial no banco traseiro, sem perder o mínimo de esportividade. Externamente conservou a tradição da grade do radiador (ligeiramente maior) e a elegância do desenho (evoluído) das colunas traseiras. Mantém pneus que rodam vazios por 80 km, mas há estepe temporário: menos 155 litros no porta-malas.

MOTOR 4-cilindros de 2 litros continua ponto alto do Série 3, agora com 258 cv e 40,8 kgfm, sendo este mais bem distribuído. O sedã ficou 60 kg mais leve; 0 a 100 km/h, 5,8 s. Sistema a bordo de inteligência artificial aprende com hábitos do motorista. Tela multimídia de 10,25 pol. e total de sete câmeras (externas e interna). Preços de R$ 219.950 (330i Sport) a R$ 269.950 (330i M Sport).

NOVO Chevrolet Camaro teve preço anunciado este mês. Cupê por R$ 315.000, cerca de 5% mais caro que o Mustang. Principais destaques, suavidade do motor, apesar do torque brutal de 62,9 kgfm, e câmbio automático de 10 marchas. Rodas de 20 pol. (pneus run flat) são bastante sensíveis a buracos. Visibilidade periférica exige adaptação cuidadosa do motorista.

MAU USO das redes sociais leva às falsas dicas, impulsionadas pela boa fé das pessoas. Faz quase um ano que se encaminha “recomendação” para utilizar óculos escuros em noites chuvosas para melhorar visibilidade noturna. Além de afrontar o bom senso, pode levar a uma situação de alto risco. Nunca deve se reenviar e, além disso, avisar ao remetente a falsidade.

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Fernando Calmon | Salão ainda atraente



De uns tempos para cá formou-se uma onda de opiniões pessimistas sobre o esvaziamento inexorável dos salões de automóveis. De fato, alguns fabricantes reviram suas participações por diferentes motivos, desde a falta de novidades para o público específico do país em que se realiza a exposição ou até corte de despesas em meio aos pesados investimentos necessários em eletrificação, carros autônomos, conectividade e compartilhamento de veículos. Tudo isso e de forma simultânea vem exaurindo financeiramente as empresas. O público, no entanto, não tem deixado de comparecer a ponto de abalar seriamente os eventos.

A exposição de Detroit, por exemplo, tenta se reinventar mudando do inverno para o verão, a partir de 2020. O Salão de Genebra continua anual, mas em 2019 sofreu baixas (Ford, Hyundai, Infiniti, Jaguar, Land Rover, Mini, Opel e Volvo estão fora). Apresentou, porém, muito mais novidades do que em outras edições. Esta segue até o próximo dia 17.

Fiat completa 120 anos de fundação e o Grupo FCA tem participação marcante. Do novo SUV conceito conceitual (mas quase pronto) Alfa Romeo Tonale ao Centoventi focado em discutir novas ideias para o futuro Panda. Mike Manley, CEO da FCA, cumpriu o prometido de apresentar versões híbridas plugáveis do Renegade e Compass, voltou a advertir sobre o fim de subsídios das fabricantes aos elétricos e admitiu novas fusões não estarem descartadas (com a PSA Peugeot Citroën traria muitas sinergias). A própria PSA se aproximou bastante da GM, depois que esta lhe vendeu a Opel.



Impressionou, em especial, o número de carros esporte novos. Desde o inacreditavelmente caro e único Bugatti La Voiture Noire por R$ 47 milhões, em conversão direta sem impostos (claro, alguém encomendou antes), ao relativamente discreto Ferrari Tributo. A lista inclui os ingleses Aston Martin Vanquish Vision e AMB-RB 03, o sueco Koenigsegg Jesko (adepto de um motor a etanol de 1.600 cv), o elétrico italiano Pininfarina Battista (1.900 cv dão para o gasto?) e o dinamarquês Zenvo TSR-S. Até o bisneto de Ferdinand Porsche, Anton Piëch, se insinuou com o Piëch Mark Zero que tanto poderá ser elétrico puro, híbrido ou movido por motor convencional, ou seja, para onde soprarem os ventos.

História mais curiosa são dois modelos que procuram reviver a marca Hispano Suiza: um se chama Carmen e outro Maguari HS1 GTC. Duas empresas acham-se donas da famosa marca espanhola, fundada em 1904. Produziu carros e motores de avião até sucumbir em 1968. Como vão resolver o imbróglio ninguém sabe.



Entre automóveis convencionais os franceses se destacaram com os novos Peugeot 208 (previsto para ser fabricado aqui) e o Renault Clio. Muito interessante a perua-cupê (shooting brake, em inglês) Mercedes-Benz CLA que só tem mercado garantido na Alemanha. O Audi Q4 e-tron mostra o rápido avanço da marca alemã em sua linha puramente elétrica.

Por fim, o site do programa BBC TopGear elencou carros e nomes extravagantes que estão em Genebra. Para citar alguns: PAL-V Flying Car, Golden Sahara II, Engler F.F. Superquad, GFG Style Kangaroo, Puritalia Berlinetta, Eadon Green Zanturi e Fornasari GT 311 Gigi.




Fernando Calmon | Erros se repetem

Nos últimos tempos, principalmente entre 2014 e 2018, Contran e Denatran vêm tomando decisões equivocadas e até atrapalhadas por meio de resoluções que, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), têm força de lei.

Não bastam os erros e recuos em relação a vários temas, como o das novas placas no padrão Mercosul. Depois de mais de um milhão de carros circulando, é inacreditável acenar com outra reviravolta só para identificar município e Estado de origem.

Argumentação muita fraca: teria sido pedido pelas polícias para facilitar a identificação. Na União Europeia circulam mais de 250 milhões de veículos e apenas o país é reconhecido por letras. O sistema anterior de plaquetas, com nome do município e sigla do Estado, só gerava gastos desnecessários e mais burocracia.

No capítulo dos “arrependimentos”, o novo presidente do Contran, Jerry Adriane Dias Rodrigues, acaba de revogar a resolução 706, de 25/10/2017, que regulamenta aplicação de multas para pedestres e ciclistas. Está no CTB desde sua promulgação, em 23 de setembro de 1997. Mesmo bem difícil de cobrar os infratores, podia ser grande aliada por seu efeito educativo. As justificativas são inconsistentes e confusas.

Está ainda em discussão a extensão da validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de cinco para dez anos. Antes se precisariam estudar as estatísticas, mas o bom senso indica como razoável a renovação aos 30 anos e 40 anos de idade do portador e, acima disso, voltar ao intervalo de cinco anos.

Há outra questão no campo de cogitação. Aumento da pontuação, de 20 para 40, que implique suspensão da CNH. A possível nova referência parece razoável, no caso específico de motoristas profissionais, pois rodam muito acima da média. No caso de amadores poderia subir para 25 ou 30 pontos, por uma simples razão: o sistema atual mistura indevidamente infrações de trânsito e administrativas.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, existe rodízio por finais de placas em dois períodos do dia, de segunda a sexta- feira, sem fins ambientais. O motorista recebe a mesma pontuação de uma infração comum. Combater engarrafamentos com multas é absurdo.

Existe ainda a intenção de dispensar o uso de simuladores de direção, nos Centros de Formação de Condutores. Há cerca de 7.000 deles instalados no Brasil. Em pelo menos 20 países são obrigatórios ou de uso facultativo. Completamente sem sentido desativar ou desestimular sua utilização. Funcionam como aulas pré-práticas e cumprem papel didático importante. Ajudam, inclusive, no aspecto psicológico para parte dos alunos que têm receio de guiar um automóvel pela primeira vez.

Trata-se de raciocínio simplório considerá-los apenas como jogo de computador. Tais equipamentos simulam situações adversas e/ou perigosas em um ambiente seguro, especialmente sob condições de baixa visibilidade (à noite, chuva ou neblina). Os alunos também desenvolvem primeiras noções de percepção de risco, inclusive de velocidades absoluta e relativa. Podem perceber quando devem acelerar para evitar tornar-se um estorvo no trânsito e ao mesmo tempo respeitar os limites, além de explorar aspectos de direção defensiva.

ALTA RODA

PORSCHE admitiu que a próxima geração 100% elétrica do Macan, prevista para 2022, conviverá com a versão de motor a combustão. Trata-se de recuo sobre seu comunicado da semana passada, admitido apenas depois de questionada. Não se pronunciou se fará apenas “retoques” no modelo atual. É natural clientes do Macan sentirem-se em dúvida.

CARLOS GHOSN, ex-executivo-chefe da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, pagou fiança de US$ 8,9 milhões (R$ 34 milhões) à Justiça do Japão para aguardar em prisão domiciliar o julgamento das acusações sobre desvios administrativos na Nissan. Ele deverá permanecer no país até o desfecho da ação. Ghosn reafirma sua inocência e espera poder prová-la aos juízes.

STATION Audi Avant RS 4 é para quem quer exclusividade, sem perder substância dentro da escola alemã de alto desempenho.
Exemplo: 0,7 cm mais baixo que o sedã RS 4. Com 450 cv e nada menos de 61,2 kgfm, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,1 s contra 3,9 s do cupê RS 5 (mais leve, mesmo motor V-6, de 2,9 litros, turbo). Preços de coçar a cabeça: R$ 546.990 e 556.990 (cupê).

VW T-CROSS 1,4 turbo, no uso diário, surpreende não apenas por acelerações fortes, mas pelo comportamento geral tanto em piso ruim quanto bom. Passageiros no banco de trás têm bastante espaço para pernas, além de saídas de ar-condicionado. Posição do encosto traseiro mais ereta a fim de aumentar volume do porta-malas incomoda um pouco, em percursos mais longos.

CONTROLE de funções por gestos já não é novidade. Mas que tal utilizar IA (Inteligência Artificial) para abrir a porta do carro apenas com um sorriso? Pois a Mindtronic, de Taiwan, desenvolveu exatamente isso e mais: aprender com o humor e as preferências do motorista para criar seu perfil. Daí passa a sugerir atividades, paradas ou restaurantes no seu caminho.

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Fernando Calmon | Em busca de alternativas



Causou impacto no exterior a comunicação, nesta terça-feira, pela Porsche: a próxima geração do Macan, um SUV médio (compacto, no padrão americano), será totalmente elétrica, sem opção por motor a combustão. As primeiras análises indicam decisão de risco, embora a empresa reafirmasse a continuidade de desenvolvimento de soluções híbridas e a gasolina para os demais modelos, pelo menos nos próximos 10 anos. Até 2025, no entanto, a Porsche espera que metade dos seus novos modelos sejam híbridos plugáveis ou elétricos.

Por se tratar do carro de maior comercialização da marca alemã, pode ser escolha estratégica a fim de baixar as emissões diretas de CO2, na média dos seus modelos à venda, e se manter dentro das severíssimas restrições da União Europeia. E, no resto mundo, como fará?

Interessante observar que, duas semanas atrás, houve certa “rebelião” nos posicionamentos de altos executivos da indústria automobilística mundial. Eles se reuniram em Paris para comemorar o centenário da Oica (na sigla original em francês, Organização Internacional dos Fabricantes de Automóveis). À noite de gala compareceu o presidente francês, Emmanuel Macron.

O novo presidente da Oica, Christian Peugeot, foi além de simplesmente afirmar que o automóvel faz parte também da solução para problemas de mobilidade. Pediu a neutralidade dos governos sobre a melhor opção para cumprir metas ambientais.

Pouco antes, Matthias Wissmann, seu antecessor na entidade e ex-ministro de Transportes da Alemanha, defendeu a possibilidade de escolhas, além da tecnologia elétrica. Para ele, combustíveis sintéticos poderiam alcançar os mesmos resultados em motores a combustão interna, sem precisar de investimentos pesados na construção de toda uma nova e caríssima infraestrutura para recarregar baterias.


Macron, no entanto, foi reticente. Como último a discursar, saiu do texto lido para dizer que rotas tecnológicas são traçadas pelo governo. Na realidade estava despreparado para ouvir alternativas, ao defender a instalação de fabricantes de bateria em território francês.

O próprio Peugeot, em entrevista na véspera do evento, disse à coluna que aplicar a mesma solução globalmente pode ser inviável. Citou o Brasil, onde o etanol tem forte papel a cumprir como combustível quase neutro em CO2, no ciclo fechado de produção e uso. Também destacou que governos não têm como bancar subsídios permanentes, nem dispensar altos impostos incidentes sobre combustíveis atuais.

Em seminário organizado, no dia seguinte ao evento, houve outras colocações de alguns representantes de 39 entidades nacionais filiadas à Oica. Na Índia, por exemplo, poeira em suspensão no ar é um grave problema e até modelos autônomos sofrerão resistência em razão de boa parcela da população sobreviver como motorista ou motociclista. Biometano foi citado como capaz de zerar emissões locais e até diminuir CO2 acumulado na atmosfera.

Definitivamente, há diversidade para mover o carro do futuro. A opção da Porsche talvez funcione, no caso específico. Para fabricantes generalistas os riscos continuam, inclusive sobre o papel dos governos e direcionamentos por simples voluntarismo.

ALTA RODA

PEUGEOT pode começar em breve as vendas dos SUVs importados 3008 e 5008 também em versões mais simples, provavelmente chamada Allure, na faixa de R$ 120.000,00 para o 3008, segundo fonte ligada às concessionárias. Consultada, a marca respondeu: “Sempre estudamos possibilidades para animar nossa gama, mas no momento não há confirmação.”

SAIU a lista dos dez modelos mais vendidos na Europa, em 2018. Na ordem decrescente: VW Golf, Renault Clio, VW Polo, Ford Fiesta, VW Tiguan, Nissan Qshqai, Peugeot 208, Toyota Yaris, Opel/Vauxhall Corsa e Renault Sandero. Apesar dos avanços, só 2 SUVs, na 5ª e 6ª posições. À exceção do Nissan, todos eles são ou já foram comercializados também no Brasil.

TOYOTA YARIS hatch, na versão XL com motor de 1,3 L (101 cv/etanol) e câmbio automático CVT, destaca-se pelo estilo atual e evolução nos materiais de acabamento. Vem bem equipado, inclusive chave presencial, partida por botão e central multimídia, mas sem parear com Android Auto. Desempenho apenas regular. Suspensão apresenta ótimo equilíbrio conforto-estabilidade.

ÍNDICE de inadimplência nos financiamentos de veículos para pessoas físicas caiu quase 70% desde o pico ruim de 2013, informa o Itaú. No ano passado, a concessão de crédito do banco alcançou expressivos R$ 15 bilhões ou 42% a mais que em 2017. No último trimestre de 2018, tíquete médio de R$ 33,5 mil, prazo de 42 meses e entrada correspondente a 38% do valor do veículo.

RESSALVAS: preços do VW T-Cross variam de R$ 84.990 (câmbio manual, versão de entrada) a R$ R$ 99.990 com câmbio automático e sempre com motor 1-litro turbo. Versão de topo, 1,4-litro turbo, parte de R$ 109.990. Quanto ao CAOA Chery Tiggo 7, apenas este tem câmbio automatizado de duas embreagens; sedã Arrizo 5 usa o mesmo motor, mas câmbio é CVT.

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