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Edição 164 - Juntas

Peças bem fechadas
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Vários componentes, principalmente de veículos novos, são vedados com cola química no lugar das juntas sólidas. Veja as diferenças entre os dois produtos e as dicas de apliacação.

Carolina Vilanova


As juntas e as colas químicas, utilizadas para proporcionar a perfeita vedação do cabeçote do motor e de outros componentes do veículo, como transmissão e diferencial, têm aplicações apropriadas que devem ser respeitadas pelo profissional na hora da substituição. Essas peças desempenham a importante função de impedir o vazamento de fluídos e gases, e ainda distribuem uniformemente a temperatura dentro do motor.



A
tualmente existem dois tipos de juntas no mercado: as sólidas, construídas a partir de vários metais, como o revestido de borracha, papelão hidráulico, beater, borracha e cortiça aglomerada com borracha; e as líquidas, conhecidas também como cola ou trava química, que têm como base ingredientes como o silicone, vamac e flúor. Apesar de terem características próprias, as juntas, como todos sabem, devem ser trocadas toda vez que a peça for aberta.

A principal diferença entre as juntas é a maneira na qual executam a vedação, que no caso das sólidas é feita por esmagamento ou compressão, e nas líquidas por adesão. A aplicação correta depende da estrutura do sistema, ou seja, do projeto que a montadora desenvolveu para o componente.

Vale lembrar que alguns veículos novos saem da linha de montagem com a junta líquida em determinadas partes, enquanto os modelos mais antigos que já estão em trabalho, utilizam juntas sólidas. O mais importante, entretanto, é procurar sempre por produtos originais e de qualidade garantida, que tenham as especificações descritas na embalagem.

O que tem no mercado

A evolução das juntas acompanhou o crescimento da indústria automotiva, afinal, têm a responsabilidade de durar muito mais e ter melhor desempenho, isso porque os motores trabalham em regimes mais severos e os prazos de garantia da montadora foram estendidos.



N
a Sabó, a tecnologia mais atual em termos de vedação são as juntas metálicas MLS, que são múltiplas lâminas de metal revestidas de borracha, ou as do tipo SLS, formadas por uma única lâmina de metal revestida ou não de borracha.

A Elring Klinger fabrica as juntas de cabeçote Metaloflex (multicamadas), compostas de várias camadas de metal envolvidas em elastômero. "O sistema de juntas com vedação elástica nos entalhes possibilita a redução de vibração, com isso, menor consumo de óleo. Juntas com espessuras variáveis são utilizadas para otimizar a queima de combustível e, assim, reduzir a emissão de hidrocarbonetos. Para os motores diesel, principalmente os de altíssima compressão, essa tecnologia é ideal", analisa Pedro Bighetti, coordenador técnico - aftermarket da marca.



A
s juntas top de linha da marca Victor Reinz, do grupo Affinia, são do tipo multi-layer, ou seja, montadas em camadas metálicas, 100% livres de amianto e voltadas para aplicação na maioria das marcas. A empresa acredita que as novas tecnologias em juntas automotivas são as "inteligentes", que usam sensores para monitorar a temperatura da câmara de combustão e a detonação.

Em relação às juntas líquidas de silicone, Felício Cintra, consultor de Novos Negócios da Timken, que comercializa as travas da Permatex, comenta que nos motores modernos, as juntas sofrem mais micro-movimentos devido à alta temperatura e é necessário um sistema de vedação muito eficiente. "O silicone, por ter resistência elevada, forma uma barreira impermeável e quando aplicado compensa essas vibrações, diz".

No caso das juntas líquidas, a Henkel, que produz as colas da Loctite, afirma que a tendência é a utilização de juntas pré-aplicadas e pré-curadas, como as do tipo CIPG "Curing In Place Gasket", que são anaeróbicas com maior flexibilidade, e os adesivos com base em Poliuretano e MS (modified silanes).

Trocando as juntas

As principais circunstâncias em que as juntas precisam ser substituídas são quando o componente precisa de uma retifica e em casos de irregularidade no funcionamento, que provoque danos ou vazamentos, como superaquecimento, quebra da correia dentada, de parafusos ou prisioneiros, no caso dos cabeçotes.



"As juntas devem atender ao tempo de vida do motor, por isso é recomendável fazer a checagem dos sistemas de vedação no mínimo a cada 1 mil km ou dois meses para veículos que rodam pouco, isso para verificar se não há desgaste prematuro, cujas causas estão relacionadas com a montagem incorreta do produto ou mau uso do motor", comenta Luiz Freitas, gerente de Marketing da Sabó.

De acordo com a Elring Klinger, uma junta de cabeçote deve durar entre 80 mil km e 100 mil km, em condições normais de trabalho. Porém, fatores externos como o tipo do combustível e do lubrificante utilizados, as condições do líquido de refrigeração e a falta de manutenção preventiva também comprometem o componente. "A junta de cabeçote é a parte principal da vedação entre cabeçote e bloco, um conjunto que trabalha com altas pressões e altas temperaturas", enfatiza o coordenador.

Juntas sólidas

Os componentes de vedação exigem muita atenção tanto no manuseio quanto na montagem. De acordo com a Sabó, o profissional deve ter cuidado ao manusear as juntas, além de fazer o armazenamento em local fresco e livre de umidade, para não danificar nem deformar a peça. Na aplicação, deve-se tomar muito cuidado e seguir as instruções de montagem na embalagem do produto ou do fabricante do veículo. "Estes cuidados envolvem o torque dos parafusos, a seqüência de aperto, a planicidade ou rugosidade das flanges e a limpeza das superfícies de contato com a junta", explica Freitas.

Para completar as dicas, a Elring Klinger indica o seguinte: manter a junta sempre na sua embalagem original até o momento da instalação, estocar em prateleiras limpas e planas e não colocar volumes pesados sobre as juntas armazenadas.

A aplicação de produtos incorretos pode trazer sérios problemas para o conjunto, inclusive a perda total. Inicialmente ocorre vazamento de fluidos (água, óleo ou gases de combustão) para dentro ou fora do sistema. No entanto, algumas falhas podem ser detectadas por meio dos indicadores de temperatura e pressão de óleo no painel de instrumentos, vestígio de vazamento de fluidos no sistema e baixo desempenho, barulho excessivo e funcionamento irregular.

Para a Victor Reinz, é muito difícil fazer montagem errada da junta, pois tem as furações e tamanhos iguais aos da parte onde será montada O torque errado é que pode causar vazamentos ou mesmo queima da peça, no caso da junta de cabeçote.

Cuidados na aplicação:

- não reaproveite juntas usadas;

- deixe o motor esfriar antes de iniciar a desmontagem para evitar empenamento do cabeçote;

- remova e aperte os parafusos do cabeçote na seqüência indicada pelo fabricante;

- analise o estado da junta descartada, que muitas vezes ajudam a descobrir a causa da falha;

- limpe as superfícies do bloco e do cabeçote antes de instalar a peça nova;

- limpe a rosca dos parafusos e furos, pois o atrito provocado por impurezas pode absorver parte do torque aplicado;

- verifique a planicidade e a rugosidade das superfícies do bloco e do cabeçote de acordo com as especificações do manual do fabricante;

- as camisas de pistão, molhadas ou secas, devem respeitar a altura correta, também especificada pelo fabricante;

- verifique o comprimento dos parafusos e o estado das roscas do bloco;

- não aplique qualquer tipo de produto sobre as superfícies do bloco, cabeçote e junta;

- não aplique graxa na junta automotiva.

Vedação em silicone

A junta líquida é um adesivo/vedante mono-componente, que vulcaniza com a temperatura ambiente, formando uma junta de borracha de silicone, flexível e resistente. O técnico da Timken explica que produto suporta a temperatura de trabalho contínuo de 230º C e picos de mais de 300º C, proporcionando uma boa faixa de segurança para motores que trabalham em regimes de altas temperaturas.

A Loctite produz juntas com base de silicone e anaeróbicos de alta performance. Sérgio Redondo, gerente de Negócios TIL Mercosul (Loctite),explica que a aplicação correta depende de uma superfície preparada adequadamente , isenta de óleo, graxa ou sujeira.

Na Colamais Química, o produto top de linha é o produto com tecnologia anaeróbica, que endurece e cura apenas na ausência do ar, e atende às mais severas especificações da industria, em relação a vedações de flanges, tanto na fabricação como na manutenção.

Aplicação:

1) Remova todo o resíduo da junta antiga com um removedor de juntas.



2) Aplique um filete contínuo de cola, com diâmetro entre 3 e 6 mm, na superfície da peça, contornando os furos dos parafusos passantes. Não coloque muita cola, pois o excesso pode penetrar dentro do conjunto e comprometê-lo.



3) Encaixe a peça enquanto o silicone ainda estiver líquido. Para endurecer, o produto precisa do ar atmosférico. Espere uma hora antes de funcionar o motor.



O
produto deve ser armazenado em local fresco e seco, em embalagens fechadas, a uma temperatura entre 8° to 28°C. Para prevenir contaminação do produto não-utilizado, não retorne sobras de produto para a embalagem.

O manuseio não exige cuidados especiais nem equipamentos de segurança, já que a cola tem base química neutra. No entanto, o profissional deve ficar atento ao usar o removedor de juntas, que tem base de solvente, que deve ser aplicado em local fresco e arejado com o uso de luvas e óculos e muito cuidado para não danificar superfícies pintadas.

O técnico explica que não é aconselhável trocar a junta sólida por cola química devido ao projeto estrutural do veículo. "O que pode ser feito é colocar a cola em conjunto com a junta para melhorar a vedação e compensar deformações na peça", alerta Cintra.

"Os problemas ocorrem quando as especificações de aplicação e manuseio do produto não são respeitadas, e podem causar falhas de montagem. Nestes casos, há a necessidade de se averiguar as novas necessidades e realizar a aplicação do novo produto com a nova condição", completa Redondo.


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