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Edição 196 - Freios

Elementos de desgaste do Honda Fit
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Veja como fazer a correta substituição dos discos, pastilhas e fluído hidráulico do sistema de freios do monovolume da Honda, além de analisar as condições de outros componentes do conjunto.

Victor Marcondes


A avaliação das condições de manutenção de um veículo vai muito além da simples apreciação de potência, digiribilidade, e conforto. A verificação dos sistemas responsáveis pela segurança (ativa e passiva) é crucial na hora da revisão. O conjunto de freios é um dos mais importantes, afinal é responsável pela redução da velocidade e / ou imobilização do automóvel em caso de frenagem, o que vai evitar um acidente que coloque em risco a integridade física dos passageiros.

Formado por diversos itens que trabalham efetivamente juntos, o sistema de freios é frequentemente exposto a condições severas de trabalho, como temperatura e pressão, além de várias situações de risco. Por conta disso, merece atenção especial do mecânico na hora da revisão, para que possa sempre oferecer o máximo desempenho e, consequentemente, segurança aos ocupantes do veículo.

Componentes como discos, pastilhas e tambores, por atuarem diretamente com forças de atrito, estão sujeitos a desgaste. Logo, precisam ser verificados periodicamente. Inclusive o fluido de freio, que por sua vez, absorve água com o passar do tempo. Isso faz com que se deteriore, perdendo suas propriedades iniciais (diminuição do ponto de ebulição). Por essa razão, também deve ser examinado e substituído de tempos em tempos.

Já os componentes do sistema hidráulico (tubos, bombas, atuadores, multiplicadores de força, válvulas e flexíveis) estão sujeitos a deterioração e /ou desgaste dos seus componentes internos. Logo, devem ser examinados quanto a vazamentos. Cabos, alavancas e pedais de comando também precisam ser verificados, quanto à deterioração e folgas excessivas.

No entanto, é importante frisar que qualquer procedimento de manutenção exige consulta das recomendações do fabricante do veículo contidas no manual do proprietário. Um passo realizado fora do padrão estipulado pode comprometer a eficiência do conjunto e comprometer a segurança de muitas pessoas.

Confira nesta matéria a substituição dos discos, pastilhas e fluido de freio de um Honda Fit, ano 2005, com 45 mil quilômetros rodados. A revisão e os diagnósticos foram realizados por José Roberto, técnico da Affinia Automotiva. É importante lembrar que para a execução deste tipo de trabalho é indispensável o uso de equipamentos de proteção individual apropriados (calçados, luvas e óculos de segurança).

Inspeção

Antes de começar a substituição dos componentes, faça uma inspeção e avaliação do desgaste de todos os itens que compõem o sistema: discos, pastilhas, cilindro-mestre, cilindro de roda, servo-freio, cabos, pedais e alavancas de comando, fluido de freio, válvulas equalizadoras e de compensação, flexíveis, tubulação e conexões. Esta verificação evita que as peças novas sofram algum tipo de deformidade prematura por conta da ineficácia de outros componentes do conjunto.

Para que o sistema de freios funcione corretamente, após a revisão, também é preciso verificar cuidadosamente a suspensão. Desgastes e folgas excessivas podem provocar trepidações ou mudança da direção durante uma frenagem.

1) Verifique também se não há folgas excessivas nos cubos e rolamentos das rodas dianteiras e traseiras. Inicie a desmontagem pelo eixo traseiro, tomando o cuidado de, após remover a roda, marcar a posição de dois furos roscados de 6 mm. É neles que serão inseridos parafusos M6 necessários para a remoção do tambor. Faça uma avaliação dos tambores, lonas, cilindros de roda e conjunto de molas de retorno.

2) Examine, em primeiro lugar, o estado e a espessura das lonas. Depois, verifique se o tambor apresenta trincas e deformações, assim como, o estado da pista de atrito das lonas. Em seguida, meça o diâmetro interno do tambor. A pista de atrito não deve apresentar ranhuras radiais ou rebarbas. O diâmetro interno deve estar abaixo do máximo especificado pelo fabricante.

3) Agora, verifique o estado do cilindro de roda, retirando parcialmente o guarda-pó que envolve as extremidades. Em caso de vazamento de fluido, substitua o componente. Avalie o estado dos kits de molas e faça a substituição em caso de deformações ou deteriorações.

4) Se os componentes estiverem em boas condições, limpe todo o conjunto e reinstale o tambor, que deve ser montado retirando os parafusos de 6 mm utilizados para removê-lo. Em seguida, verifique se as lonas estão reguladas corretamente, e se necessário, realize o ajuste.

5) Ao passar para o eixo dianteiro, lembre-se de verificar se existem folgas na suspensão e no rolamento de roda. Em seguida, observe o estado geral de conservação da pinça de freio, disco, pastilhas, pinos deslizantes e flexíveis do sistema.

6) O próximo passo é remover o grampo de fixação da presilha da pastilha externa. Cuidado para que o grampo não sofra nenhum tipo de deformação. Caso apresente alguma irregularidade substitua a peça. Depois, retire os pinos deslizantes, verificando o seu estado de conservação. Retire então a pinça e a pendure com um gancho na suspensão, para não comprometer o flexível de freio. Remova as pastilhas. Caso apresentem desgaste excessivo faça a substituição. Remova o cavalete e fique atento sobre defeitos que possam comprometer o seu funcionamento.

7) Para retirar o disco de freio, solte os parafusos que fixam o componente. Se tiver dificuldades na remoção, utilize um spray desengripante. Numa situação extrema, use um martelo de borracha ou de fibra. Utilize um micrômetro para medir a espessura do disco. Caso esteja abaixo do mínimo recomendado pelo fabricante, substitua o componente (sempre em ambos os lados). No nosso exemplo, o valor encontrado foi de 18 mm enquanto o mínimo é de 19 mm, ou seja, requer substituição.

Obs.: Se os discos apresentam rebarbas, mas se encontram com espessura acima da mínima recomendada pelo fabricante, é possível realizar uma retifica. No entanto, ao final da operação ambos os lados dos discos devem apresentar a mesma espessura.


8) Em seguida, verifique o estado das pinças quanto a vazamentos no local do guarda-pó do êmbolo (8A). Substitua o kit de reparo da pinça se necessário. Com uma escova de aço e um pano limpo, faça uma limpeza na região de contato do cubo de roda com o disco, com o objetivo de retirar impurezas que possam provocar o assentamento incorreto do disco (trepidações) (8B).

8A 8B
8C

Obs.: antes de serem instalados, os discos novos devem ser limpos com álcool ou detergente neutro e água para que a película protetora contra oxidação seja retirada. Instale o disco com os devidos parafusos de fixação. Depois, gire a peça para assegurar que está bem ajustada. Agora, com uma escova de aço, limpe o cavalete com atenção especial para o local onde as pastilhas deslizam. Instale o componente na manga de eixo e aperte os parafusos com o torque recomendado (8C).

9) Ao instalar as pastilhas, cuidado para não contaminá-las com óleo ou graxa, para que não percam a eficiência. Evite fazer qualquer alteração nas presilhas, localizadas na região do êmbolo da pastilha nova. Caso tenha sua forma alterada, este componente poderá gerar problemas, como: folgas, vibrações e ruídos. Para facilitar o encaixe das novas pastilhas, abra o sangrador e retorne o êmbolo à posição correta para fixação. Limpe o local, fixe a pastilha e encaixe o conjunto no disco de freio (9A).

9A 9B

Obs.: Na montagem da pinça, não se esqueça de limpar e lubrificar com graxa os pinos deslizantes (9B). Depois de instalar a pinça, reinstale cuidadosamente a mola que segura a pastilha externa. Por fim, limpe a parte de atrito do disco.

10) Com o passar do tempo, o fluido de freio absorve água e se deteriora, como consequência, sua temperatura de ebulição diminui. Além disso, essa umidade provoca a deterioração das partes ferrosas que ficam em contato com o fluido. Por conta disto, é muito importante fazer a substituição do fluido sempre de acordo com as recomendações estipuladas pelo fabricante.

11) Para a sangrar o sistema ou fazer a substituição completa do fluido, sobretudo nos veículos equipados com ABS, utilize o equipamento apropriado, realizando o procedimento conforme recomendado pelo fabricante do veículo. Finalize o serviço com a instalação das rodas. Aperte os parafusos de fixação, sempre em formato de cruz e com o torque especificado, para garantir o perfeito assentamento.

Colaboração técnica: Fernando Landulfo, instrutor do SENAI-Vila Leopoldina


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