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Edição 169 - Mecânica Diesel

Caixa não-sincronizada do Ford Cargo
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Confira a desmontagem e as dicas de manutenção da caixa de câmbio que equipa os caminhões da linha Cargo da Ford, cuja principal característica é a ausência de anéis sincronizadores.

Carolina Vilanova


Os principais atributos que garantem a eficiência de uma caixa de câmbio são a sua facilidade de operação, de manutenção e sua resistência. Os caminhões da linha Cargo da Ford utilizam um tipo de caixa capaz de proporcionar esses benefícios para o motorista, fornecidas pela Eaton, as transmissões RT têm como característica a ausência de anéis sincronizadores e são conhecidas no mercado como caixas não-sincronizadas.

A caixa em detalhe nessa reportagem é a Eaton RTLO-14918B, de dezoito marchas a frente e quatro a ré, equipamento original dos caminhões Cargo 4331s e 4432e. Sem os anéis sincronizadores, que fazem o trabalho de frenagem das engrenagens na hora de mudar de marcha, a caixa RT trabalha com dois contra-eixos e uma caixa auxiliar, que faz a multiplicação das marchas (“split”) por meio de um botão na parte da lateral esquerda da alavanca, e a seleção de caixa alta/baixa, através do botão situado na parte frontal da alavanca. O seletor de engate tem comando pneumático e a alavanca de mudanças permite nove movimentações que efetuam todo o ciclo de engates.

Instrutor de Treinamento de Serviço da Ford, Eder Ricardo Joergensen, explica que, por não ter anel sincronizador, o motorista deve trocar de marcha no tempo certo da rotação do motor. “A vantagem é que a falta de anéis permite que haja espaço entre as engrenagens, que têm estruturas mais largas, logo, mais resistentes e mais duráveis”, complementa.

O conjunto da caixa RTLO-14918B é composto por duas partes, ou seja, duas caixas de transmissão no mesmo equipamento, através do qual as marchas se sobrepõem, ou seja, a 5ª e a 1ª funcionam a partir da mesma engrenagem, bastando acionar o seletor de caixa alta/baixa. A primeira sessão tem seis engrenagens acionadas através da alavanca de mudanças, enquanto a segunda caixa possui três conjuntos de engrenagens acionadas por pressão de ar.

Funcionamento da caixa

A caixa de mudanças RTLO-14918B tem 18 marchas a frente e 4 marchas a ré, sendo formada pelas caixas principal e auxiliar, que contém as engrenagens HI (alta) e LO (baixa) e as engrenagens de sobre-marcha “split” alta e baixa.

O dispositivo seletor de sobre-marcha – tecla “split” – permite dividir em duas faixas de torque – L ou H – cada uma das marchas, seja no regime de caixa baixa (LO, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª), ou no de caixa alta (5ª, 6ª, 7ª e 8ª).

Assim, cada uma das marchas no regime de caixa baixa (LO) pode ser dividida em duas, alternando a posição da tecla “split”, proporcionando 10 relações de marchas progressivas para o regime de caixa baixa. Assim, como as quatro marchas do regime de caixa alta (HI) também são divididas, somam mais 8 marchas, totalizando 18 marchas a frente.

Manutenção

O técnico da Ford afirma que a manutenção e a durabilidade dependem da operação na qual o caminhão trabalha. “As trocas de óleo e filtros devem ser realizadas dentro dos prazos determinados pelo manual do proprietário, lembrando que cada aplicação tem seu plano de manutenção específico”.

A durabilidade da caixa depende muito de como o motorista opera o caminhão e a revisão do conjunto é necessária quando existir dificuldades de engatar uma marcha.

Se o problema estiver no engate da caixa alta para caixa baixa, o defeito pode estar no filtro secador e regulador do sistema pneumático, lembrando que umidade no circuito pode causar contaminação. A limpeza da peça - se estiver entupida – deve ser feita com querosene e ar comprimido para secar.

 

Sempre que o caminhão chega numa oficina com sintomas de avarias no câmbio, o primeiro procedimento é checar a pressão do sistema pneumático e das válvulas.

Se for constatado vazamento de óleo, antes de desmontar o conjunto, verifique o respiro está em ordem. Para isso, selecione a caixa alta e observe se não há vazamento de ar pelo respiro.

A recomendação da montadora é drenar todo o ar e fluído do sistema antes de trabalhar nessa transmissão. Também é extremamente importante observar a plaqueta de identificação, localizada na parte lateral inferior da caixa, que traz todas as informações sobre o modelo, tipo e identificação para peças de reposição. Além disso, é imprescindível o uso de componentes originais, ferramentas especiais e equipamentos apropriados. Todas as juntas devem ser substituídas por novas.

“Outra característica importante é a facilidade de trocar as engrenagens, pois não tem como montar errado, é fácil de retirar e de recolocar”, afirma o instrutor.

Mãos na caixa

Case seja necessária a desmontagem do conjunto, o primeiro passo é preparar o caminhão para que o técnico possa trabalhar com segurança, além de ter em mãos as ferramentas adequadas. Siga essas instruções:

• Calce as rodas e aplique o freio de estacionamento.

• Certifique-se de que a alavanca está em Neutro.

• Desconecte o cabo negativo da bateria.

• Libere o ar comprimido do reservatório de freio.

• Remova o escapamento.

• Retire os parafusos de fixação da árvore longitudinal à árvore secundária da caixa de mudanças – não esqueça de marcar com tinta sua posição, com uma linha coincidente entre a luva deslizante e o corpo da árvore.

1) Com a caixa apoiada adequadamente num cavalete, comece a desmontagem dos componentes, com a retirada do filtro e da válvula auxiliar da carcaça. Em seguida, retire as molas do seletor.

Obs.: cuidado para não deixar cair as esferas alojadas nos compartimento das molas.

2) Solte os parafusos e remova o seletor pneumático da caixa e as mangueiras de ar. O torque para montagem é de 11 a 16 Nm.

3) Agora, desencaixe o pino do seletor, que impede que marchas erradas sejam selecionadas com o carro fora do ponto morto. É necessário remover esse pino antes de abrir a tampa e, na hora da instalação, ele deve ser encaixado antes de montar o conjunto.

4) Desaperte os parafusos da tampa. Observe que na montagem a seqüência de aperto é de fora para dentro e de maneira cruzada. O torque é de 47 a 61 Nm.



Obs.: na hora de desmontar, retire os parafusos e mantenha essa ordem na instalação, pois eles têm tamanhos diferentes, alguns são mais longos para suportar os ganchos de apoio.


5) Ao remover a tampa da caixa, cuidado para não derrubar as esferas que estão alojadas no compartimento das molas que já foram retiradas. Remova as esferas e guarde-as num lugar seguro.

6) Utilize a “guitarra” para auxiliar o desaperto do flange da caixa auxiliar antes de remover (a guitarra fica calçada no chão). Para retirar, recoloque a abraçadeira da cruzeta e solte os parafusos. Desloque a peça com o guincho e apóie-a no gabarito (ferramenta 205-668), ou numa base apropriada. Não esqueça que, antes de apoiá-la, o conjunto do “split” deve ser retirado. Para isso, vire o garfo para o lado e remova sua luva de engate.

7) Em seguida, desencaixe a engrenagem que faz o acoplamento do “split” na caixa com a ajuda do alicate, para tirar o anel antes de afrouxar os parafusos.

8) Retire a engrenagem da luva de engate do “split” e sua arruela. Na montagem, por ter duplo contra-eixo, todas as engrenagens são folgadas no eixo, é uma característica desse tipo de caixa.

9) Agora, o técnico deve remover o eixo da ré, a começar pela trava e depois, com a ajuda do extrator 205-672, retire o eixo do alojamento.

Obs.: Não bata na peça com martelo.

10) Tire o anel que segura o rolamento traseiro antes de tirar o eixo de ré e o rolamento. Remova o anel da trava do eixo de saída. Esse anel é chanfrado e deve ser instalado com o lado cônico voltado para a parte traseira da caixa.

11) Agora, empurre a engrenagem para frente da caixa e retire a engrenagem intermediária da marcha ré por cima. Cuidado para não deixar as arruelas caírem dentro da caixa.



Obs.: Na hora de montar a peça, preste atenção na marca “FRONT” estampada na engrenagem, que deve ficar voltada para o eixo principal (parte frontal da caixa).

12) Retire o rolamento do eixo intermediário. Depois, remova o anel do rolamento para ter acesso ao contra-eixo. Solte o parafuso que serve de trava do lado interno do mesmo eixo.

13) Remova o rolamento traseiro da árvore secundária e, em seguida, posicione o extrator 308-475 para retirar o contra-eixo. Com muito cuidado bata com um martelo de bronze ou de plástico para empurrar o rolamento. Remova agora o rolamento traseiro.

14) Ainda no contra-eixo, coloque a ferramenta 308-649 para segurar o contra-eixo contra a parede lateral da parte dianteira da caixa e, assim, deslocar a árvore secundária.

15) Depois disso, vire a caixa na posição vertical e remova o eixo secundário.

16) Para retirar o eixo piloto ou a árvore primária, remova o flange e a capa. Em seguida, bata com cuidado com o martelo na ponta do eixo, retire a trava, o rolamento e a arruela interna, que está dentro da engrenagem. Tire o eixo piloto por fora, bem como a engrenagem e apóie a peça na morsa.

 

17) O pino trava da chaveta, alojado na parte da frente da árvore secundária, deve ser verificado se não está quebrado ou muito baixo.

 

Obs.: Desmonte as engrenagens do eixo removendo-as uma por uma e colocando-as em ordem numa bancada apropriada. Na hora de montar, coloque a arruela com a parte cônica voltada para o lado das luvas de engate. Então, recoloque a engrenagem, a arruela intermediária e assim por diante, na ordem inversa da desmontagem. Utilize um guia no lugar da vareta e, depois que colocar a arruela da ré, introduza a vareta enquanto remove o guia. Por último, encaixe a luva de ré.

Ponto de sincronismo

18) Para garantir o perfeito funcionamento da caixa é necessário encontrar o ponto de sincronismo antes de terminar o serviço e fechar a caixa. O procedimento é o seguinte: determine o ponto morto do contra-eixo, onde todas as engrenagens estão alinhadas. Essa posição deve coincidir com a marcação da engrenagem do eixo primário, que é dividida ao meio. Encaixe o eixo piloto com o anel e acerte a marca determinada.

19) Monte o eixo piloto e recoloque a árvore secundária e a árvore de saída. Em seguida, encaixe o rolamento da parte traseira e encontre o ponto de sincronismo com o contra-eixo.

Desmontagem da caixa auxiliar

Afrouxe os garfos da sessão auxiliar para poder encaixar a ferramenta no eixo de saída da caixa auxiliar e remover o rolamento de saída. Remova a carcaça, os garfos e separe os eixos.

 

Essa peça não tem como montar errado, o segredo da montagem dessa caixa é acertar o ponto de sincronismo. Na caixa auxiliar, encontre as marcações “0” nos contra-eixos e divida a engrenagem no meio com uma marcação. Depois, encaixe nos pontos laterais.


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